Receita para o natal

Posted in antinatal on 1 de novembro de 2012 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Panfletagem que será feita sobre o uso de animais em ceias de natal… Uma bela “receita” para você pensar e refletir sobre o que realmente esta comendo.

Divulguem na sua cidade também.

Ingredientes: Frangos

Animais curiosos e amigáveis que criam laços familiares e hierarquias, constroem ninhos e cuidam das suas crias.

Modo de preparo:

  1. Cortar o bico dos frangos com uma lâmina quente e sem anestesia.
  2. Colocar as crias em galinheiros super lotados cheios de excrementos levanado-os à morte por asfixia ou ataque do coração.
  3. Alimentá-los com antibióticos e mantê-los à luz artificial acesa durante 24 horas para que comam bastante e cresçam rápido para aumentar a produção.
  4. Selecionar os frangos com mais carne, fazendo com que suas patas se quebrem e não consigam se mover durante toda a sua miserável existência.
  5. Agarrar os sobreviventes pelas patas e jogá-los em engradados superlotados para o transporte.
  6. Transportá-los durante horas para o matadouro expondo-os a temperaturas extremas.
  7. No matadouro, prender as patas dos sobreviventes a ganchos.
  8. Lavá-los com água eletrificada.
  9. Cortas-lhes a garganta.
  10. Atirar os corpos, alguns ainda vivos em água escaldada para facilitar a remoção das penas.
  11. Repetir esta receita cerva de 5 bilhões de vezes ao ano.

Obs: Um frango nasce e é abatido e dois meses quando este tem expectativa de vida de 7 anos.

Se não gostou da receita, Ótimo!!

Mude seu hábito alimentar.

Alimente-se sem crueldade. Já temos alimentos em abundância de alta qualidade chegando a nossas mesas com um instalar de dedos. Se um dia na história da evolução houve a necessidade de nos alimentar de nossos irmãozinhos animais, hoje já não mais necessitando dessa barbárie. Você acredita que os animais têm sentimentos, inteligência e que pensam? Você acredita que os animais têm alma? Mulheres! Homens Negros! Acreditem, um dia, num passado não muito distante, essas perguntam se referiam a vocês. Lembram como vocês eram tratados?

Enquanto nos alimentarmos de forma tão cruel dificilmente conheceremos a paz.

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Neste natal dê de presente aos animais o direito de permanecerem vivos.

 

Palavras de Luce Fabbri

Posted in Sem categoria on 22 de setembro de 2011 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Luce Fabbri(1908 – 2000) foi uma militante libertária, escritora, editora e filha de Luigi Fabbri, considerada também como “cronista de uma geneologia anarcofeminista”.

A definição de anarquismo por Luce:

“O anarquismo é mais um caminho do que um fim, a finalidade é sempre inalcançável, qualquer finalidade, nós a concebemos com inteira, perfeita e como tal não se alcança. Sacrificar a essa finalidade o que a pessoa sente e pensa é suicida, porque, na realidade, não se consegue nada, tampouco no momento presente e o que interessa é o presente que estamos vivendo, que é o que existe. O anarquismo é uma forma de sentir o presente em vista de algo, em vista de uma finalidade, quer dizer senti-lo libertariamente, em vista de uma liberdade, pois o perfeito não existe, porém, pode-se ir a ele… não é uma atitude individual, mas social, que interessa à sociedade em seu conjunto, portanto implica organização, ordem, razão…”

Percebendo a Pluralidade do passado,  luce fabbri da uma direção à memória histórica como veiculo de consciência.

“Nossos vínculos com o passado são muito fortes e sobretudo são fortes em nível coletivo e uma ruptura drástica com o passado, só se pode fazer à custa da liberdade, só oprimindo e forçando as vontades. Há algo na tradição que oprime, porém já uma continuidade que não se pode romper violentamente, só se pode deixar cair, provocar a queda do que está sobrando, das folhas secas, do que já não tem vida… porém, uma mudança libertária deve passar pela vontade coletiva, a vontade coletiva sempre tem em conta a História… mesmo que inconscientemente… conhecer a História tem um valor vital, um valor de reconsideração dos valores tradicionais e é uma forma, um veículo de transformação enquanto se criticam os valores à medida que se conhece…”

A Filosofia do Anarquismo – Edgar Rodrigues

Posted in referências on 4 de julho de 2011 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Edgar Rodrigues“O anarquismo firma-se no apoio mútuo e na solidariedade humana. É uma doutrina profundamente humanitarista. Seus militantes integram-se ideologicamente formando organismos humano-sociais, valores universais dentro dos Grupos, das federações e na sociedade.
O anarquismo embasa uma Nova Ordem Social de liberdade plena, na qual as riquezas naturais, e as resultantes do trabalho manual, intelectual e mecânico ou eletrônico, isto é, a produção, o consumo e a educação, devem satisfazer às necessidades de todos e de cada um, independente das idades, sexos, raças e/ou cores. Anarquismo não é discriminatório, nacionalista, intelectual, operário, masculino, feminino, é uma ideologia do Ser Humano!!!
O anarquismo propõe a substituição da organização regulamentada por cercas jurídicas, obrigatoriamente padronizada e robotizada, pela organização voluntária, embasada no livre acordo, espontaneamente firmado por afinidades, eternamente dissolúvel, desde que os interesses e reciprocidades deixem de existir.
Tornou-se hábito estabelecer consensos, regras, leis condicionadoras, em dimensões tais que alienam o homem para que este aceite resignadamente a desigualdade e a exploração. O anarquismo opõe-se a estes costumes, não aceita que o homem precise ser governado e/ou explorado, e repele o conceito condicionador de que o contrário, além de utópico, é irrealizável, uma calamidade pública de proporções incalculáveis.
Não é verdade que o indivíduo precise sofrer a autoridade dos governantes e dos seus auxiliares para ser cumpridor de seus deveres, saber conviver com a liberdade que por obra e graça dos sofismas políticos ‘termina sempre onde começa a do semelhante’, como se todos os seres humanos tivessem necessidades que pudessem ser medidas ou pesadas.
O anarquismo – doutrina dos anarquistas – rechaça a ‘convicção’ de que o homem deva deixar-se deformar abdicando daquilo que possui de mais importante: a inteligência, a razão, a vontade de ser livre! O anarquista vê a ciência, o saber e a liberdade como patrimônios públicos, de todos, tão necessários quanto a luz e o ar que respiramos.
Por isso os anarquistas advogam que o acesso de todos a esse valioso Bem Comum se transforme em princípio Novo dentro da Nova Educação!
O anarquismo é a filosofia da Humanidade. Todos nós – querendo ou não – somos um pouco anarquistas. Os seres humanos se completam no anarquismo e atingem a expressão máxima de seu desenvolvimento.
O anarquismo não se fecha, não está enquadrado em nenhum esquema preestabelecido a servir de roteiro para a conduta humana. É a própria Vida! Vai até onde o sentido da liberdade o possa conduzir. A essência da Anarquia é a liberdade plena e a responsabilidade.”

Este texto foi extraído do livreto “Anarquismo à moda antiga”, escrito em 1985 por Edgar Rodrigues, que pode ser adquirido com a editora Achiamé por R$ 3,00.

Zine Curupira 7

Posted in zines on 4 de abril de 2011 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Edição do fim do verão de 2011. Clique na imagem para baixar.

Nuclear não!

Posted in Sem categoria on 12 de março de 2011 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

A discussão sobre ser a favor ou contra usinas nucleares se deu mais intensamente a partir de 1986, com o acidente de Chernobyl, na Ucrânia. A nuvem de radioatividade liberada atingiu a União Soviética, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido. As pessoas que não morreram na hora da explosão morreram depois com os efeitos da radiação ou sofreram graves consequências em sua saúde (veja aqui algumas fotos).
No Brasil me lembro que mais ou menos em 2004 se deu uma grande discussão nos meios de comunicação sobre o término da construção da usina nuclear Angra III.
Hoje, dia 12 de março de 2011, houve uma explosão e um vazamento de radioatividade na usina nuclear Fukushima Daiichi, em Okumamachi, devido ao terremoto e ao tsunami no Japão. O governo japonês disse inicialmente que o risco de contaminação por radiação era mínimo, porém a quantidade liberada já ultrapassou o máximo permitido para a saúde humana em um ano. O especialista estadonidense Joseph Cirincione diz que se o reator tiver sofrido fusão, o problema pode ser pior que em Chernobyl.
Neste momento estão começando a falar sobre o vazamento de radiação de um segundo reator. Milhares de moradores estão sendo retirados das proximidades do local. Césio radioativo está se espalhando (lembram-se do acidente com Césio-137 em Goiânia/GO?).
Neste momento acredito que devemos repensar no assunto: usinas nucleares são realmente viáveis? Seus defensores alegam que elas são mais eficientes e que o desastre de Chernobyl foi causado por uma falha humana. Porém, se é possível uma falha humana causar tantos prejuízos (principalmente às pessoas) por que não buscar alternativas que não causem os mesmos danos?
É possível unir a tecnologia a um estilo de vida que respeite o meio-ambiente, as pessoas e os animais. Até quando vamos esperar para começar fazê-lo?

Consequências do acidente nuclear em Chernobyl

Zine Curupira – Piracicaba

Posted in zines on 6 de fevereiro de 2011 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Disponibilizamos os seis primeiros números do Zine Curupira, veículo de difusão ecoanarquista e anarcossindical de Piracicaba, com notícias, informações, pensamentos, poesias, dicas e receitas. Clique nas imagens para descarregar o pdf.

Carnívoros ou carniceiros?

Posted in Sem categoria on 6 de fevereiro de 2011 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

CARNICEIRISMO

Carnívoro: é o animal que mata a própria presa e a devora com o sangue ainda quente.
Ex: leão, leopardo, onça, tigre

Carniceiro: é o animal que não tem capacidade ou coragem de matar a própria presa, espera que outro a mate e devora-o mais tarde, com o sangue já frio.
Ex:
abutre, urubu, hiena, corvo

Os seres humanos não matam a própria presa e a devoram com o sangue já frio, com uma diferença: os abutres, os urubus e as hienas devoram as carnes em início de putrefação, com algumas horas do animal morto. Os humanos comem as carnes com meses ou anos de estocagem da carne nos frigoríficos. Quando ela é retirada para consumo está verde. Torna-se necessário, então, revitalizá-la com nitratos, nitritos e salitre, que devolvem a coloração avermelhada. Os dois primeiros são conhecidos cancerígenos.

Somos o único tipo de animal que mata qualquer coisa que se mova, pelo simples prazer de matar. A designação elegante que se dá a isso é caça. Caça à raposa, caça ao coelho, caça ao tigre, tiro ao pombo, ao pato, à codorna, e por aí vai.

Mas não matamos apenas na caça esportiva. Se um inseto se atrever a mover-se perto de nós, será impiedosamente esmagado. Crianças matam passarinhos instintivamente com suas pedradas e estilingadas. Nada pode ficar vivo nas proximidades de um homo “sapiens”.

O fato é que comer defunto não é para pessoas sensíveis. Se pensarmos no que estamos fazendo, paramos imediatamente de devorar cadáveres de bichos mortos. Urge que nosso estômago deixe de ser um cemitério.

Se, por um lado, isso constituía um aperfeiçoamento, já que nossos antepassados passavam a ingerir menos carnes, esse sistema ainda não era ideal. A mistura de alimentos produz fermentação, a qual gera odor nauseabundo. Experimente colocar num saco plástico um pouco de tudo o que você ingerir na próxima refeição. Acrescente um cálice de ácido gástrico (se não tiver, esprema um limão). Em seguida, coloque por meia hora num forno a 36 graus centígrados, a temperatura do seu corpo. Depois, abra e cheire.

Isso é o que está acontecendo lá dentro do seu tubo digestivo. Mas, para onde vai esse odor? Pensou que ele se evaporasse por obra e graça do Espírito Santo? Nada disso. Ele sai pelo seu hálito, pelos seus poros, pela sua transpiração, pelas suas axilas. Encare a realidade: você fede! Os animais onívoros cheiram mal. Compare: o cheiro do porco, o do bode. Ah! Esqueci: você também come porco.

Experiência científica

Há uma experiência muito convincente que costumo fazer em sala de aula e você pode reproduzi-la na sua casa.

Material necessário: um ser humano e uma vaca. Coloque o ser humano diante da vaca. Peça que o ser humano mate a vaca com os recursos que a natureza lhe dotou, ou seja, sua força, suas mãos, seus dentes, etc.

O ser humano vai tentar por todos os meios, vai querer estrangular a vaca, vai dar socos na vaca e não vai conseguir matá-la. Talvez consiga aborrecê-la e acabe levando uma chifrada. Fim da experiência científica.

Conclusão: o ser humano não foi projetado para caçar. Além do mais, na natureza ele nem conseguiria se aproximar o suficiente para agarrar o bicho, pois também fomos privados da velocidade que o predador necessita.

Contestação da validade da experiência acima

O ser humano contrapõe que ele é um animal inteligente. Como tal, teve condições de fabricar ferramentas e, com elas, caçar. Já não é lá muito verdadeira essa afirmação, pois estamos tentando provar que por natureza não fomos dotados dessas ferramentas, mas vamos aceitar a contestação e refutá-la com outra demonstração.

Impugnação da contestação

Desta feita, entregamos uma ferramenta de abate – uma faca – e solicitamos que o sujetito mate a vaca na nossa frente para provar que, com instrumentos, a experiência anterior ficaria invalidada. Mas, então, o que é que verificamos estupefatos? 99% dos humanos não têm coragem de enfiar a faca na jugular do bovino!

Seria prova suficiente de que não somos predadores naturais? Pelo sim, pelo não, vamos além. Tomo a faca da mão daquele espécimen covarde. “Se você não tem coragem, mato eu a vaca.” Introduzo a lâmina na garganta da desditada. O sangue jorra. E o ser humano… Onde está ele? Ah! Lá está, no canto, vomitando!

Se fosse carnívoro, o simples cheiro do sangue ou a sua visão, já daria água na boca. Mas, se ele não é capaz de matar e ainda lhe embrulha o estômago se outro mata. Isso demonstra claramente que nossos instintos são bem diferentes. Aquele reflexo de “pôr para fora” é exatamente o oposto da reação de comer.

Talvez não sejam carnívoros, e sim carniceiros!

Fonte

E as plantas? (Por Bruno Müller)

Posted in Sem categoria on 21 de janeiro de 2011 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Voltando a tratar das questões mais recorrentes que vegetarianos e veganos enfrentam, quero tratar de uma das mais populares entre os onívoros. Uma pergunta que sempre aparece, com variações: “mas e as plantas? Elas também não sentem? Porque devemos ter compaixão pelos animais e não por elas?”.

Por mais absurda que seja a questão, e por mais que eu esteja convencido que ela raramente é posta com propósito sincero, vale a pena se debruçar sobre ela, até para demonstrar a desonestidade de quem a coloca. Ela raramente é motivada por uma dúvida sincera sobre a diferença (ou não) nas implicações éticas do uso de animais e plantas por seres humanos. Geralmente é um álibi dos onívoros para justificar seus hábitos: “se não podemos ser éticos em igual medida com animais e plantas, então seria arbitrário poupar apenas um deles, sendo mais lógico e justo vitimar ambos”. Como veremos, há um oceano de distância nas implicações éticas do uso de animais e de plantas. Os pretensos defensores das plantas – que eu jocosamente chamo de “alfascistas” (conjunção de “alface” com “fascista”) – na verdade guardam parentesco com os relativistas e os realistas políticos. Como os primeiros, diante da impossibilidade de justificar seus desvios éticos, buscam apontar o dedo acusador para seus críticos, julgando que os erros que eles também cometem – mesmo que apenas presumidos – eximem-nos de responsabilidade pelos seus próprios erros. Como os realistas, sugerem que a impossibilidade de chegar a padrões mínimos de moralidade e ética não apenas invalidam a busca por estes padrões, como justificam a ação totalmente desvinculada de ambos.

Geralmente a questão vem na forma da afirmação: “os vegetais também são seres vivos”. É aqui que começa a se mostrar a fragilidade de seus “argumentos”. De fato os vegetais são seres vivos. Mas… alguns vegetais sequer precisam ser mortos para serem comidos. Tira-se a folha, ou o fruto, e o vegetal continua lá vivo. Também se pode deixar a raiz e o vegetal vai continuar a crescer. Agora, quando se tira o vegetal pela raiz, é inegável, ele morre.

A outra forma mais famosa de confrontar os vegetarianos é dizer: “os vegetais também sentem”. Essa, que na verdade é a questão central, não é de melhor valia para os alfascistas. Aqui entra a questão da senciência, que qualquer pessoa que se dê ao trabalho de investigar as razões do veganismo deveria conhecer. Senciência é o termo que usamos para explicar porque somos veganos. Resumindo, dizemos que os vegetais não têm senciência, ou seja, não sofrem. Agora, algumas pessoas mais bem informadas ou mais espertas ou mais interessadas em nos confrontar, podem alegar que existem estudos sobre a capacidade das plantas de “sentir” a agressividade do ambiente, ou o fato delas responderem a estímulos (como a planta dormideira, que se fecha ao ser tocada). Eis algumas formas de responder estas questões:

1. Os estudos sobre a sensibilidade das plantas são inconclusivos, nunca foram repetidos (pré-requisito para um experimento científico ter validade) e alguns cientistas consideram-nos como verdadeiras fraudes.

2. As plantas não têm sistema nervoso central, logo é impossível para elas sofrerem e sentir dor.

3. As plantas são fixadas na terra; elas não podem fugir de um predador, no máximo ter espinhos; o sistema nervoso e a sensação de dor servem justamente de alerta para que os animais fujam de perigo iminente – se a planta não pode fugir, pra que precisaria sentir dor? Senciência, para elas, é desnecessário; seria mesmo contraditório com sua própria condição.

4. Responder a estímulos não é igual a ter senciência. Até organismos não-vivos como células e proteínas respondem a estímulos. Mesmo que as plantas tenham algum tipo de sensibilidade, ela seria muito diferente da senciência dos animais. Mesmo os estudos que tratam da sensibilidade das plantas constatam isso. Elas podem ter mecanismos de defesa, atração, estratégias de dispersão de sementes ou mesmo captura de presas. Mas nada indica que elas experimentem dor ou sentimentos.

5. É provado que podemos viver sem explorar, matar, comer animais. Mas podemos viver sem plantas? Lembrando que usamos plantas não só na alimentação, mas para fazer várias outras coisas, desde produtos de higiene e limpeza, medicamentos, até roupas e utensílios domésticos e móveis. Viver sem usar plantas, se não for impossível, exigiria que voltássemos a viver na selva. No caso das plantas, portanto, pode-se alegar com muito mais propriedade que nossas vidas dependem dela – o que não é de modo algum verdadeiro no caso dos animais não-humanos.

6. Se a pessoa ainda assim acha que não há diferença entre usar plantas e animais – e acredite-me, ela só dirá isso se estiver competindo, e não dialogando, pois qualquer pessoa com bom senso (não precisa nem inteligência) é capaz de perceber a diferença – então pode-se dizer duas coisas:
a. Podemos optar por causar mais dano ou menos dano. É sempre preferível, quando o dano é inevitável, causar menos dano. Creio que qualquer pessoa, a menos que seja nazista ou coisa parecida, terá que concordar com este princípio. E o fato indiscutível é que comer e usar plantas diretamente causa menos dano, porque se temos que infligir dor, e podemos optar em infligir dano a animais e plantas ou só a plantas, o melhor a fazê-lo é causar dano só às plantas. Até porque, afinal, os animais também comem plantas, e um boi, alguns porcos ou muitas galinhas comem muito mais plantas do que um ser humano comum. Se considerarmos o tanto de animais para consumo que existem no planeta, veremos quantas toneladas de plantas nós lhes damos para os comê-los depois, o que será revertido numa quantidade bem menor de carne, que além de tudo é um alimento mais pobre. Aqui percebe-se como até de uma pergunta banal, provavelmente debochada, pode-se extrair uma reflexão relevante. Se esse interlocutor hipotético acha mesmo que devemos consideração às plantas, ainda assim teria de ser vegetariano: produz-se e consome-se muito menos plantas se nos alimentamos diretamente delas, causando, conseqüentemente, menos dano não só aos animais, mas às próprias plantas e a todo o ecossistema. Tantas plantas sendo dadas a animais é desperdício de comida e uma pressão extra sobre as florestas remanescentes. É mais racional, sob todos os aspectos, alimentar-se diretamente de fontes vegetais. Além de poupar os animais, desse modo temos mais excedente de alimentos (ajudando no combate à fome, que é um fenômeno político) e ajudamos a reduzir a dependência da importação de alimentos e a derrubada de florestas.
b. Se, em todo caso, a pessoa DE FATO se preocupa em poupar a vida das plantas, ela tem a opção de adotar o frugivorismo (frutos e frutas), que embora restrito e requeira muito cuidado, é viável. Não há, sob qualquer prisma, em qualquer sistema de crenças, qualquer dilema ético na alimentação frugívora, afinal, as frutas não são seres vivos, são parte do sistema reprodutor dos vegetais, e EXISTEM PARA SEREM COMIDOS, pois é ao comê-los que os animais espalham as sementes dos vegetais, permitindo assim que nasça uma nova geração deles.

Maria Valverde Silvello

Posted in Sem categoria on 2 de janeiro de 2011 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Brasileira, operária, anarquista!

Nasceu em Piracicaba no dia 27 de março de 1916. Filha de camponeses com sangue espanhol e italiano, Maria Valverde viveu, trabalhou e casou no interior do Estado de São Paulo com Cecílio Dias Lopes, espanhol, nascido em Granada.

Em resumo biográfico, enviado a pedido do autor a 18 de junho de 1980, Maria Valverde fala da sua descendência: “Meus pais, José Valverde Dias e Angelina Silvello, filhos de colonos, conheceram o trabalho escravo nas fazendas paulistas. Minha mãe nasceu na Fazenda Santo Antônio, de Prudente de Morais, que você cita no seu livro, de onde meus avós tiveram de fugir com os filhos por não suportarem mais os maus tratos do capataz e dos donos da fazenda”.

“Meu pai descendia de espanhóis anticlericais, e apesar de trabalhador do campo recebia regularmente no interior do Estado A Lanterna. Foi também militante do Centro de Cultura Social.”

Em 1939, Maria Valverde e o marido mudaram-se para a Capital. Tinham em mente duas coisas: encontrar trabalho, fixar residência e conviver com os libertários. A Lanterna havia-lhes iluminado o “novo caminho”.

Seu marido, como bom espanhol, criado na Fazenda Pasto Velho, em São Manuel do Paraíso, carregava como Maria Valverde o “gérmen” da rebeldia contra a escravidão no campo e as sementes emancipadoras que A Lanterna lançava no interior do Estado paulista.

Vivia-se o começo da Segunda Guerra Mundial. O movimento anarquista desenvolvia sua atividade clandestinamente. Os militantes mais conhecidos da polícia inquisitorial de Vargas reuniam-se alternadamente em casa de companheiros. O Centro de Cultura Social não tinha sede.

Neste entreato, o casal Maria Valverde-Cecílio fez contato com militantes anarquistas de São Paulo, conhecendo então pessoalmente Edgard Leuenroth, diretor do jornal A Lanterna, começando a participar de reuniões em fins de 1940. O Centro de Cultura Social abria caminho pela via teatral representando peças libertárias e anticlericais.

No ano de 1942, Maria Valverde, sua irmã Angelina Valverde e seu marido Cecílio Dias Lopes passaram a integrar o corpo cênico do Centro, só se afastando da atividade teatral em 1957 por motivos de doença.

Em julho de 1980, pedimos a Maria Valverde que nos falasse de sua participação teatral, e dela recebemos os nomes das seguintes peças em que trabalhou: “Primeiro de Maio”, de Pietro Gori; “Ressonar sem Dormir”, “Madrid”, de Pedro Catalo; “Uma Mulher Diferente”, P. Catalo; “A Sombra”, de Dário Nicodemi; “O Herói e o Viandante”, de P. Catalo; “Insensata”, de P. Catalo; “A Casa dos Milagres”; “Tabu”, de Francisco Xsvoboda; “Nossos Filhos”, de Florêncio Sanches; “Os Mortos” de Florêncio Sanches; “O Feitiço”, de Oduvaldo Viana; “O Coração é um Labirinto”, de P. Catalo; “Como Rola uma Vida”, P. Catalo; “Ciclone”, de W. Somerset Maugham; “O Maluco da Avenida”, de Carlos Arniches; “Está Lá Fora Um Inspetor”, e outras que não recorda. Todas educativas e sociais, encenadas diversas vezes.

Os filhos do casal Cecílio-Maria Valverde também trabalharam em algumas peças, onde se fazia necessário a presença de adolescentes.

Maria Valverde não se limitou a ser atriz, fez parte também do Centro de Cultura, chegando a ocupar cargos em sua diretoria. Participou ainda de festas de congraçamento anarquista em Nossa Chácara e esteve presente em todos os Congressos anarquistas ali realizados, chegando a usar da palavra em nome das mulheres anarquistas.

Maria Valverde, para o autor, foi bem mais do que a colaboradora do Teatro Social e do Centro de Cultura Social com sede na rua Rubino de Oliveira, São Paulo; foi uma excelente amiga, valiosa colaboradora numa pesquisa que produziu mais de meia dúzia de obras de história social por nós publicadas.

Sua casa na rua Cesário Galeno, 430, em Tatuapé, está ligada historicamente a essas obras. Foi pousada, ponto de encontros e local onde colhemos dados sem os quais nosso trabalho ficaria muito pobre. Ali encontrei amizade sincera, ajuda incondicional, honradez!

Edgar Rodrigues. Os Companheiros. volume 4. Editora Insular, Florianópolis, 1997.

20 de Novembro, dia da Consciência Negra

Posted in consciência negra on 18 de novembro de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região