Archive for the feminismo Category

O Controle Social da Imagem da Mulher na Mídia

Posted in feminismo on 4 de agosto de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região
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Manual de autodefesa

Posted in feminismo, zines on 19 de julho de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Disponibilizamos uma tradução do Manual de autodefesa para mulheres e garotas (e outras expressões de gênero não hegemônicas), um zine originalmente em espanhol. Abaixo, tem uma versão para leitura e outra para impressão. Para imprimir em forma de livreto, se deve imprimir a capa separadamente e as outras páginas frente e verso.

https://anarquismopiracicabaeregiao.files.wordpress.com/2010/07/manual-de-autodefesa.pdf
https://anarquismopiracicabaeregiao.files.wordpress.com/2010/07/manual_impressao.pdf

O Mundo Invertido

Posted in feminismo, referências on 20 de junho de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Inverta o termo de gênero homem por mulher. Imagine que a palavra mulher inclui, é claro, também o homem, porque seria a palavra mulher que definiria o gênero humano. Imagine que sempre viveu em uma sociedade semelhante à nossa na qual desde que éramos crianças a palavra mulher era usada para denominar tanto o pai como a mãe. Isto é, quando nesta sociedade dizemos mulher estamos incluindo, às vezes sim, às vezes não, os homens (Como você se sente pelo fato de que se identifiquem homens e mulheres com uma palavra feminina?)

Cada dia de sua vida será dessa maneira. Sinta a presença da mulher e a insignificância do homem. Pense na história da humanidade construída, como é lógico, pelas grandes mulheres, as heroínas da pátria, as cientistas, sábias e inventoras. Sinta o poder e a autoridade das mulheres. Os bustos e retratos das mulheres que fizeram história estão em todos os edifícios públicos, nos parques e nos selos. Seus nomes estão nas avenidas e nas ruas. Quando há nomes de homens, geralmente são os esposos, amantes, pais ou filhos das grandes mulheres ou são homens que só existem na fértil imaginação das mulheres (Você pode imaginar uma cidade repleta de imagens das grandes matriarcas? Como é que você se sente em uma cidade assim?).

Recorde como eram as famílias nos filmes, nas telenovelas, nos romances, e talvez em sua própria família. Recorde que a mãe sai todos os dias para trabalhar e o pai fica em casa limpando, cozinhando, lavando, cuidando do bebê, indo ao mercado, procurando alguém para consertar algo que se quebrou ou desmontou em casa, pedindo desculpas ao vizinho pela janela que a Mariazinha quebrou, procurando Rosinha para passar-lhe uma bronca, fazendo contas para saber porque o dinheiro não dá e milhares de outras coisas.

Mas todas crêem e dizem que quem trabalha é a mãe. É ela quem dá o dinheiro ao pai para que compre as coisas que toda a família necessita. O pai fica em casa e não trabalha. O pai bronqueia e se queixa. E quando a mãe chega todas devem estar quietinhas, o pai e todas as filhas, porque a mãe fica mal-humorada, chega muito cansada do trabalho e não tem porque ouvir e tolerar as bobagens da casa. Aos domingos toda a família sai para passear, mas o pai não brinca com você, ele continua com a cozinha e “peguem isso, não façam aquilo”. Em compensação a mãe está feliz, jogando futebol, correndo com a cachorra, comprando sorvetes (Como é que você sente esta distribuição da autoridade dentro de casa? Você pode imaginar o pai fazendo todo o serviço de casa? Como é que você imagina um pai que faz tudo dentro de casa? Com quem você se identifica? De quem você sente pena? Acha que é justo ou injusto?).

Lembre-se que tudo o que você leu durante toda a sua vida só usa pronomes femininos, ela, dela, delas, mesmo quando a referência era a meninas e meninos, mulheres e homens. Lembre-se do livro em que você aprendeu a ler: “a mãe move o mundo; o pai pega os pratos”. Lembre-se de que apesar de que desde pequena disseram a você que as mulheres e os homens são iguais, nas telenovelas, no cinema, nas canções, isso não é assim. As mulheres são as heroínas, as que fazem coisas importantes e se movem na esfera pública. Os homens, quando aparecem, são o bandido do filme, o que abandonou a heroína ou o tonto que escolheu mal a sua mulher.

Toda a vida dos homens gira ao redor de sua mulher e parece que eles só pensam em sua aparência física. Além do mais, os homens nunca são solidários entre eles, sempre fofocando e falando de coisas sem importância ou falando mal do seu melhor amigo.

Nos contos de fadas, os homens sempre têm que esperar serem salvos por uma mulher forte e boa que lhes dará tudo o que eles não podem fazer por si mesmos (Como você se sente sabendo que os homens devem ser salvos pelas mulheres?).

Recorde que embora sempre tenham dito a você que a Deusa não tem sexo, sempre que você viu a imagem dela nas igrejas e santinhos, é uma mulher com uma longa cabeleira branca e na Igreja Católica só as mulheres podem rezar missa e só elas foram eleitas Mamas da Santa Igreja. E, embora na Bíblia exista um relato de que a Deusa criou a mulher e o homem no mesmo ato, o relato mais difundido e o que se conta para as meninas é o de Eva e Adão em que a Deusa criou primeiro Eva e depois tirou Adão da sua costela, para que Eva não ficasse sozinha no paraíso. Mas depois Adão fez Eva pecar ao convencê-la a comer a fruta proibida e desde então a humanidade inteira sofre por culpa do Adão. (O que você experimentou ao sentir que nós mulheres somos princípio e fim do gênero humano, as criaturas mais importantes e amadas da Deusa? Como isso afeta a sua auto-estima? Você pode imaginar uma Deusa? Você se sente à vontade com a idéia de uma Deusa? E de um Papa mulher, quer dizer, uma Mama? Como você se sentiria em uma missa rezada por uma mulher?).

Lembre-se de que a maioria das vozes no rádio e das caras na televisão e na imprensa, quando se trata de eventos importantes como a nomeação de uma comissão pacificadora, a junta diretora de um banco, a eleição na Federação das Indústrias, a secretaria geral de um sindicato, o FMI, etc., são vozes e caras de mulheres. Lembre-se que a Presidente sempre foi uma mulher e que as ministras e deputadas são mulheres na sua maioria.

A polícia e o exército estão majoritariamente nas mãos das mulheres. E embora aos homens lhes tenha sido dado o direito a voto muito depois de que às mulheres, ninguém questiona a igualdade eleitoral. Recorde que na escola todos os seus livros didáticos falam do ponto de vista feminino, a história relata as façanhas das mulheres, sua luta pela liberdade, pela igualdade e pela sororidade. Nos estudos sociais só se lê o que pensaram as mulheres, o que conquistaram as mulheres, porque o progresso humano foi feito por elas e é medido de acordo com o que elas consideram importante.

Em anatomia é o corpo da mulher que é usado para explicar o sistema respiratório, o sistema circulatório, etc. No esporte, os importantes são os esportes que as mulheres praticam… afinal de contas, na Copa do Mundo só os times femininos participam. As compositoras de música são sempre mulheres, com raras exceções, e as grandes artistas plásticas reconhecidas mundialmente são mulheres. A literatura mundial é aquela escrita pelas mulheres. Os romances, contos e poesias dos homens são apenas literatura masculina. E quando há perigo de guerra ou extinção do planeta, todas as que têm o poder, de evitá-la ou não, são mulheres, mesmo que os homens, junto com suas filhas, saiam às ruas para protestar e lutar pelos Direitos
da Mulher, ou como são chamados agora, “Direitos Humanos”.

Lembre-se de que o pai sempre disse que o mundo é assim, não porque não se queira dar importância aos homens – suas caras e seus corpos são vistos nos comerciais e, é claro, nos concursos de beleza – mas porque na realidade a maioria das pessoas que se movem nas esferas de decisão, nas esferas importantes, são mulheres. Embora todos os homens saibam que atrás de toda grande mulher há um bom homem. (Como você se sente sabendo que é a mulher o paradigma do humano? Você consegue imaginar uma esfera pública povoada só de mulheres? Consegue imaginar uma Assembléia Legislativa ou um Congresso composto só por mulheres? O que você sente ao pensar nesse Congresso? O que você sente quando imagina um concurso de beleza de homens?).

Sinta-se verdadeiramente tranqüila e segura com o fato de que nós, mulheres, somos as líderes, os centros de poder, as principais e essenciais em tudo. Que somos nós, mulheres, que outorgamos o voto ao homem e que decidimos o destino do planeta em nome da humanidade. O homem, cujo papel natural é o de esposo e pai, encontra sua satisfação por meio de seu sacrifício por sua família, suas filhas e por dar um oásis de paz a sua senhora. Isto é natural, pois todas conhecemos as diferenças biológicas entre os sexos. Pense na explicação biológica óbvia: a mulher entrega seu corpo inteiro para a reprodução da espécie durante a gravidez e a amamentação e dessa forma, ao homem lhe cabe fazer todo o resto. Além do mais, o corpo da mulher é o paradigma – o desenho ou construção de seu corpo é o protótipo do corpo humano – pois seus órgãos genitais são compactos e internos, protegidos dentro do corpo. Seu corpo tem menos pêlos, característica importante que a diferencia dos primatas, enquanto o homem, muito mais peludo, está mais próximo dos macacos dos quais descende. Pense que os órgãos genitais masculinos são mais expostos, prova de que os homens devem ser educados a brincar com cautela, para assegurar a continuação da espécie. A vulnerabilidade masculina obviamente torna os homens necessitados de proteção. E está cientificamente comprovado que os homens suportam menos a dor e estresse, e têm uma vida mais curta que as mulheres. Assim, é melhor que permaneçam dentro de suas casas e não façam nada mais pesado que os serviços domésticos. (O que você sente quando ouve dizer que a mulher é biologicamente mais forte? Como você se sente com a idéia de que o corpo da mulher seja o paradigma do corpo humano? Acha justo que os homens se encarreguem da criação das crianças e de cuidar das meninas?).

Portanto, é a própria natureza quem determina que os homens são mais passivos que as mulheres e que seu desejo sexual é o de ser simbolicamente envolvidos pelo corpo protetor de uma mulher. Os homens psicologicamente anseiam por essa proteção, tomando plena consciência de sua masculinidade no momento do envolvimento sexual, sentindo-se expostos e vulneráveis em qualquer outra situação. Segismunda Freud, que apesar de ser mulher sabe mais sobre a sexualidade masculina que os próprios homens, já disse que o macho não alcança a verdadeira maturidade enquanto não conseguir vencer sua tendência ao orgasmo fálico e passar para o orgasmo testicular. Quando consegue, finalmente se torna um “homem completo” e pode deixar-se absorver pela mulher. (Você consegue evocar suas experiências sexuais? A sua sexualidade é integral, completa, ou mutilada? Como é que você se sente quando ouve dizer que é uma mulher a que sabe mais sobre a sexualidade dos homens?).

Mas se o homem não aceita tal visão e continua aferrado ao orgasmo fálico, as teorias psicanalíticas, universalmente aceitas e cientificamente comprovadas, demonstram que é porque esse homem, inconscientemente, está rejeitando sua masculinidade. Deve fazer psicoterapia para que seja ensinado a aceitar a sua verdadeira natureza. É claro que essa terapia será ministrada por uma psicóloga que tenha a educação e a sabedoria para facilitar a abertura que se requer por parte do homem para que reconheça sua natureza masculina e possa crescer em busca do seu verdadeiro eu, aceitando seu destino biológico como base moral da família. (Você consegue evocar relações sexuais satisfatórias? Por que foram satisfatórias? Você pode imaginar uma terapeuta falando sobre a “natureza masculina”? O que você sente ao pensar nessa natureza masculina?).

Para ajudar o homem a vencer sua resistência em aceitar seu verdadeiro destino, a terapeuta o levará a tomar contato com o menino que vive dentro dele. Que recorde como invejava a liberdade que suas mães davam à sua irmã. Ela podia correr, subir em árvores e andar a cavalo sem se preocupar em maltratar seus órgãos genitais. Ele lembra também que ela podia usar tênis e shorts, enquanto ele tinha que calçar esses sapatinhos de verniz que lhe machucavam os pés… Rapidamente a terapeuta o afasta desse tipo de pensamentos que fomenta horríveis movimentos masculinistas que são liderados por homens feios e frustrados que não conseguiram uma mulher que os desejem e os protejam. A terapeuta lhe explicará que, obviamente, como sua irmã tem tanta liberdade de movimento, é preciso estimulá-la para desenvolver seu corpo e sua mente para as grandes responsabilidades que a esperam em sua vida adulta. A terapeuta o ajudará a entender que a vulnerabilidade masculina necessita da proteção feminina. Por isso, seu papel nesta vida é menos ativo e a ele são ensinadas as virtudes da abnegação do sacrifício. (Que tipo de sentimentos você sente no seu interior? Como você sente a roupa que está usando agora?).

Por tudo isso, à mulher corresponde a fortaleza, ao homem a observação, a graça, a nutrição, a abnegação. Atrás de toda grande mulher, há um bom homem. O mundo é um berço que se move pelas mãos de um homem abnegado. O homem é um ser incompleto, por isso necessita que sua mulher lhe dê filhas para sentir-se finalmente completo. O homem é do lar, a mulher da rua, o homem se realiza dentro da esfera privada, a mulher na pública. A mulher é forte, independente, racional, por isso não necessita da proteção de sua casa e gosta de andar pelas ruas com suas amigas. (Você consegue sentir-se poderosa por sua capacidade de continuar a espécie e dar dignidade ao homem? O que se sente ao saber que os homens são incompletos, carentes de proteção? Como você se sente sabendo que as mulheres andam pelas ruas e que isso é “natural”?)

Devido à sua inveja do clitóris, ele aprende a esconder seus órgãos genitais e aprende a sentir-se envergonhado e sujo por suas ejaculações noturnas. Aprende a depilar as pernas, as axilas, o peito, a barba e até a usar desodorantes testiculares para sentir-se como um bonequinho, um verdadeiro Ken. Inconscientemente sabe que as mulheres gostam dos jovenzinhos porque são mais dóceis e lindos e por isso tem que tratar de parecer sempre jovem. As mulheres, em compensação, não têm que se preocupar demasiado com seu físico porque elas são admiradas por sua inteligência e força e sabem que sempre poderão conseguir um marido porque eles são estimulados a sonhar com o casamento como única alternativa a sua vida. Além do mais, todos os jovenzinhos acham atraente uma mulher grisalha, com experiência e dinheiro. Eles são ensinados a sonhar com o dia em que sua “senhora” lhe entregará uma recém-nascida mulher para que a cuide e leve seu nome. Sabe que se for um menino, ele é quem falhou, mas em todo caso pode seguir tentando… (Percorra seu corpo, grave os sentimentos que se mobilizaram.)

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Retirado do Manual de Capacitação das Mulheres Jovens, elaborado pela Convenção pela Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW) e pela Instituto Latino-Americano para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinquente (ILANUD).

8 de Março – Dia Internacional da Mulher.

Posted in 8 de março, feminismo, textos on 8 de março de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade estadunidense de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, como redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com muita violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas.

Em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem às mulheres que se manifestaram por condições melhores em 1857. Somente em 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU.

Essa data não é apenas pra comemorar, dar presentes ou coisa do tipo. É uma forma de luto pelas mulheres que reivindicaram seus direitos e acabaram morrendo por eles. Em muitos países realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade. A luta é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todas as conquistas, mulheres ainda sofrem em locais de trabalho, em casa, e nas ruas.

O Dia da Mulher serve para lembrarmos o quanto já conquistamos e o quanto ainda temos para conquistar!

A cada 15 segundos uma mulher é espancada ou morta no Brasil. As mulheres são vistas como objetos de consumo, e depois de serem usadas são jogadas em qualquer canto, são criminalizadas, sofrem preconceitos, opressão, desvalorização. Vivem com medo de andar nas ruas por que hoje em dia as ruas são dominadas por homens. Toda mulher tem medo de andar à noite por elas e ser assediada ou estupradas. São ridicularizadas por necessitar interromper uma gravidez. Nós mulheres vivemos com medo todos os dias. Esse medo vem da dominância masculina: de nossas famílias que foram criadas de uma forma machista, onde o irmão tem o direito de fazer o que quiser por ser homem, e a menina tem que ficar em casa ajudando a mãe a arrumar a casa e preprarar o almoço para os machos, e pelo sistema que nos mostra que não podemos gritar, não podemos erguer a voz pra dizer que basta de opressão e que as mulheres têm que ser tratadas com respeito e não como objetos.

100 anos de 8 de Março! 100 anos de luto e luta.
Mulheres unidas mudam o mundo!