E as plantas? (Por Bruno Müller)

Posted in Sem categoria on 21 de janeiro de 2011 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Voltando a tratar das questões mais recorrentes que vegetarianos e veganos enfrentam, quero tratar de uma das mais populares entre os onívoros. Uma pergunta que sempre aparece, com variações: “mas e as plantas? Elas também não sentem? Porque devemos ter compaixão pelos animais e não por elas?”.

Por mais absurda que seja a questão, e por mais que eu esteja convencido que ela raramente é posta com propósito sincero, vale a pena se debruçar sobre ela, até para demonstrar a desonestidade de quem a coloca. Ela raramente é motivada por uma dúvida sincera sobre a diferença (ou não) nas implicações éticas do uso de animais e plantas por seres humanos. Geralmente é um álibi dos onívoros para justificar seus hábitos: “se não podemos ser éticos em igual medida com animais e plantas, então seria arbitrário poupar apenas um deles, sendo mais lógico e justo vitimar ambos”. Como veremos, há um oceano de distância nas implicações éticas do uso de animais e de plantas. Os pretensos defensores das plantas – que eu jocosamente chamo de “alfascistas” (conjunção de “alface” com “fascista”) – na verdade guardam parentesco com os relativistas e os realistas políticos. Como os primeiros, diante da impossibilidade de justificar seus desvios éticos, buscam apontar o dedo acusador para seus críticos, julgando que os erros que eles também cometem – mesmo que apenas presumidos – eximem-nos de responsabilidade pelos seus próprios erros. Como os realistas, sugerem que a impossibilidade de chegar a padrões mínimos de moralidade e ética não apenas invalidam a busca por estes padrões, como justificam a ação totalmente desvinculada de ambos.

Geralmente a questão vem na forma da afirmação: “os vegetais também são seres vivos”. É aqui que começa a se mostrar a fragilidade de seus “argumentos”. De fato os vegetais são seres vivos. Mas… alguns vegetais sequer precisam ser mortos para serem comidos. Tira-se a folha, ou o fruto, e o vegetal continua lá vivo. Também se pode deixar a raiz e o vegetal vai continuar a crescer. Agora, quando se tira o vegetal pela raiz, é inegável, ele morre.

A outra forma mais famosa de confrontar os vegetarianos é dizer: “os vegetais também sentem”. Essa, que na verdade é a questão central, não é de melhor valia para os alfascistas. Aqui entra a questão da senciência, que qualquer pessoa que se dê ao trabalho de investigar as razões do veganismo deveria conhecer. Senciência é o termo que usamos para explicar porque somos veganos. Resumindo, dizemos que os vegetais não têm senciência, ou seja, não sofrem. Agora, algumas pessoas mais bem informadas ou mais espertas ou mais interessadas em nos confrontar, podem alegar que existem estudos sobre a capacidade das plantas de “sentir” a agressividade do ambiente, ou o fato delas responderem a estímulos (como a planta dormideira, que se fecha ao ser tocada). Eis algumas formas de responder estas questões:

1. Os estudos sobre a sensibilidade das plantas são inconclusivos, nunca foram repetidos (pré-requisito para um experimento científico ter validade) e alguns cientistas consideram-nos como verdadeiras fraudes.

2. As plantas não têm sistema nervoso central, logo é impossível para elas sofrerem e sentir dor.

3. As plantas são fixadas na terra; elas não podem fugir de um predador, no máximo ter espinhos; o sistema nervoso e a sensação de dor servem justamente de alerta para que os animais fujam de perigo iminente – se a planta não pode fugir, pra que precisaria sentir dor? Senciência, para elas, é desnecessário; seria mesmo contraditório com sua própria condição.

4. Responder a estímulos não é igual a ter senciência. Até organismos não-vivos como células e proteínas respondem a estímulos. Mesmo que as plantas tenham algum tipo de sensibilidade, ela seria muito diferente da senciência dos animais. Mesmo os estudos que tratam da sensibilidade das plantas constatam isso. Elas podem ter mecanismos de defesa, atração, estratégias de dispersão de sementes ou mesmo captura de presas. Mas nada indica que elas experimentem dor ou sentimentos.

5. É provado que podemos viver sem explorar, matar, comer animais. Mas podemos viver sem plantas? Lembrando que usamos plantas não só na alimentação, mas para fazer várias outras coisas, desde produtos de higiene e limpeza, medicamentos, até roupas e utensílios domésticos e móveis. Viver sem usar plantas, se não for impossível, exigiria que voltássemos a viver na selva. No caso das plantas, portanto, pode-se alegar com muito mais propriedade que nossas vidas dependem dela – o que não é de modo algum verdadeiro no caso dos animais não-humanos.

6. Se a pessoa ainda assim acha que não há diferença entre usar plantas e animais – e acredite-me, ela só dirá isso se estiver competindo, e não dialogando, pois qualquer pessoa com bom senso (não precisa nem inteligência) é capaz de perceber a diferença – então pode-se dizer duas coisas:
a. Podemos optar por causar mais dano ou menos dano. É sempre preferível, quando o dano é inevitável, causar menos dano. Creio que qualquer pessoa, a menos que seja nazista ou coisa parecida, terá que concordar com este princípio. E o fato indiscutível é que comer e usar plantas diretamente causa menos dano, porque se temos que infligir dor, e podemos optar em infligir dano a animais e plantas ou só a plantas, o melhor a fazê-lo é causar dano só às plantas. Até porque, afinal, os animais também comem plantas, e um boi, alguns porcos ou muitas galinhas comem muito mais plantas do que um ser humano comum. Se considerarmos o tanto de animais para consumo que existem no planeta, veremos quantas toneladas de plantas nós lhes damos para os comê-los depois, o que será revertido numa quantidade bem menor de carne, que além de tudo é um alimento mais pobre. Aqui percebe-se como até de uma pergunta banal, provavelmente debochada, pode-se extrair uma reflexão relevante. Se esse interlocutor hipotético acha mesmo que devemos consideração às plantas, ainda assim teria de ser vegetariano: produz-se e consome-se muito menos plantas se nos alimentamos diretamente delas, causando, conseqüentemente, menos dano não só aos animais, mas às próprias plantas e a todo o ecossistema. Tantas plantas sendo dadas a animais é desperdício de comida e uma pressão extra sobre as florestas remanescentes. É mais racional, sob todos os aspectos, alimentar-se diretamente de fontes vegetais. Além de poupar os animais, desse modo temos mais excedente de alimentos (ajudando no combate à fome, que é um fenômeno político) e ajudamos a reduzir a dependência da importação de alimentos e a derrubada de florestas.
b. Se, em todo caso, a pessoa DE FATO se preocupa em poupar a vida das plantas, ela tem a opção de adotar o frugivorismo (frutos e frutas), que embora restrito e requeira muito cuidado, é viável. Não há, sob qualquer prisma, em qualquer sistema de crenças, qualquer dilema ético na alimentação frugívora, afinal, as frutas não são seres vivos, são parte do sistema reprodutor dos vegetais, e EXISTEM PARA SEREM COMIDOS, pois é ao comê-los que os animais espalham as sementes dos vegetais, permitindo assim que nasça uma nova geração deles.

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Maria Valverde Silvello

Posted in Sem categoria on 2 de janeiro de 2011 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Brasileira, operária, anarquista!

Nasceu em Piracicaba no dia 27 de março de 1916. Filha de camponeses com sangue espanhol e italiano, Maria Valverde viveu, trabalhou e casou no interior do Estado de São Paulo com Cecílio Dias Lopes, espanhol, nascido em Granada.

Em resumo biográfico, enviado a pedido do autor a 18 de junho de 1980, Maria Valverde fala da sua descendência: “Meus pais, José Valverde Dias e Angelina Silvello, filhos de colonos, conheceram o trabalho escravo nas fazendas paulistas. Minha mãe nasceu na Fazenda Santo Antônio, de Prudente de Morais, que você cita no seu livro, de onde meus avós tiveram de fugir com os filhos por não suportarem mais os maus tratos do capataz e dos donos da fazenda”.

“Meu pai descendia de espanhóis anticlericais, e apesar de trabalhador do campo recebia regularmente no interior do Estado A Lanterna. Foi também militante do Centro de Cultura Social.”

Em 1939, Maria Valverde e o marido mudaram-se para a Capital. Tinham em mente duas coisas: encontrar trabalho, fixar residência e conviver com os libertários. A Lanterna havia-lhes iluminado o “novo caminho”.

Seu marido, como bom espanhol, criado na Fazenda Pasto Velho, em São Manuel do Paraíso, carregava como Maria Valverde o “gérmen” da rebeldia contra a escravidão no campo e as sementes emancipadoras que A Lanterna lançava no interior do Estado paulista.

Vivia-se o começo da Segunda Guerra Mundial. O movimento anarquista desenvolvia sua atividade clandestinamente. Os militantes mais conhecidos da polícia inquisitorial de Vargas reuniam-se alternadamente em casa de companheiros. O Centro de Cultura Social não tinha sede.

Neste entreato, o casal Maria Valverde-Cecílio fez contato com militantes anarquistas de São Paulo, conhecendo então pessoalmente Edgard Leuenroth, diretor do jornal A Lanterna, começando a participar de reuniões em fins de 1940. O Centro de Cultura Social abria caminho pela via teatral representando peças libertárias e anticlericais.

No ano de 1942, Maria Valverde, sua irmã Angelina Valverde e seu marido Cecílio Dias Lopes passaram a integrar o corpo cênico do Centro, só se afastando da atividade teatral em 1957 por motivos de doença.

Em julho de 1980, pedimos a Maria Valverde que nos falasse de sua participação teatral, e dela recebemos os nomes das seguintes peças em que trabalhou: “Primeiro de Maio”, de Pietro Gori; “Ressonar sem Dormir”, “Madrid”, de Pedro Catalo; “Uma Mulher Diferente”, P. Catalo; “A Sombra”, de Dário Nicodemi; “O Herói e o Viandante”, de P. Catalo; “Insensata”, de P. Catalo; “A Casa dos Milagres”; “Tabu”, de Francisco Xsvoboda; “Nossos Filhos”, de Florêncio Sanches; “Os Mortos” de Florêncio Sanches; “O Feitiço”, de Oduvaldo Viana; “O Coração é um Labirinto”, de P. Catalo; “Como Rola uma Vida”, P. Catalo; “Ciclone”, de W. Somerset Maugham; “O Maluco da Avenida”, de Carlos Arniches; “Está Lá Fora Um Inspetor”, e outras que não recorda. Todas educativas e sociais, encenadas diversas vezes.

Os filhos do casal Cecílio-Maria Valverde também trabalharam em algumas peças, onde se fazia necessário a presença de adolescentes.

Maria Valverde não se limitou a ser atriz, fez parte também do Centro de Cultura, chegando a ocupar cargos em sua diretoria. Participou ainda de festas de congraçamento anarquista em Nossa Chácara e esteve presente em todos os Congressos anarquistas ali realizados, chegando a usar da palavra em nome das mulheres anarquistas.

Maria Valverde, para o autor, foi bem mais do que a colaboradora do Teatro Social e do Centro de Cultura Social com sede na rua Rubino de Oliveira, São Paulo; foi uma excelente amiga, valiosa colaboradora numa pesquisa que produziu mais de meia dúzia de obras de história social por nós publicadas.

Sua casa na rua Cesário Galeno, 430, em Tatuapé, está ligada historicamente a essas obras. Foi pousada, ponto de encontros e local onde colhemos dados sem os quais nosso trabalho ficaria muito pobre. Ali encontrei amizade sincera, ajuda incondicional, honradez!

Edgar Rodrigues. Os Companheiros. volume 4. Editora Insular, Florianópolis, 1997.

20 de Novembro, dia da Consciência Negra

Posted in consciência negra on 18 de novembro de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região


Clandestino Cine Clube

Posted in eventos on 4 de novembro de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Dia das Crianças sem compras em Limeira

Posted in atos on 5 de outubro de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

VOTAR NÃO MUDA NADA! VOTE NULO!!!

Posted in voto nulo on 2 de outubro de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Se o voto mudasse alguma coisa, eles o tornariam ilegal.

Amanhã, dia 03 de outubro de 2010, haverá eleições gerais no Brasil. A democracia burguesa fez uma grande campanha ideológica nos últimos meses. A justiça eleitoral teve a ousadia de afirmar em propagandas de televisão que ao escolher a opção voto branco, os eleitores estariam “disperdiçando” seu voto. Em nenhum momento a justiça eleitoral explicou o que acontece quando o eleitor digita um número errado. Esse detalhe, porém, é de fundamental importância para os anarquistas.

Todos nós somos obrigados a votar, pelo menos aqueles que pretendem fazer um curso superior ou prestar um concurso público. Para isso, é obrigatório apresentar o comprovante de votação. Logo, votar é obrigatório no Brasil. Temos uma democracia que mais parece um estupro dentro de nossa própria casa. Diariamente, candidatos de todo tipo estiveram enfiados em nossas casas, durante o horário eleitoral na televisão. Tivemos que assistir pessoas tão desagradáveis quanto desonestas formulando suas mentiras e seus discursos messiânicos, cheios de insanidades e despropósitos.

Engolimos até mesmo as piadas de mau gosto, as frases feitas, as causas oportunistas o preconceito mal disfarçado, entre tantas situações repulsivas. Tivemos que ouvir o palhaço Tiririca, a mulhere-pera, com seu bundão, o Maluf, do “rouba mas faz”, o lutador Maguila, os irmãos dublês de cantores Kiko e Leandro, o pseudo-humorista Moacir Franco, o costureiro e fofoqueiro Ronaldo Esper, a dupla de bons-moços Serra e Geraldo, que meteram o pau nos professores, os aprendizes do Dr. Enéas, o benfeitor Romeu Tuma, a irmã Marina Silva, a eloquente candidata do presidente Lula, a Sra. Dilma, o fazendeiro-grande latifundiário Quércia, a Tichiolina brasileira, Cameron Brasil, o pagodeiro Netinho. No Rio de Janeiro, até o ex-Big Brother Brasil Jean Willys era candidato.

Fora esses mais famosos, tivemos que aguentar o discurso moralista dos partidos religiosos, principalmente o PSB e o PSC. Entretanto, o moralismo esteve mais do nunca presente no discurso de todos os partidos. O Gabriel Chalita, ex-Secretário de Educação de São Paulo, podia ser eleito o representante
dessa ordem religiosa. Enfim, a campanha política foi um verdadeiro carnaval de horrores. O tema musical desse espetáculo bem podia ser “The Black Parade”, do My Chemical Romance

Amanhã será o grande golpe, o desfecho final: a votação na máquina da democracia – a urna eletrônica brasileira. Para Élisée Reclus, a política representativa burguesa significa a própria morte. Então, ao me deparar amanhã com a urna de votação, estarei à beira do precipício. Os brasileiros estarão morrendo mais um pouco, e isso é uma terrível constatação. A única coisa que tenho certeza é que digitar um número errado, por exemplo 00, e confirmar o voto nulo é algo como tomar a pílula vermelha do Matrix. Depois de fazer isso pela primeira vez, o precipício torna-se uma realidade que não pode ser apagada.

Portanto, amanhã, VOTE NULO! VOTE CONTRA O SISTEMA! SUBVERTA, SINTA-SE HUMANO! ANARQUIA É A ÚNICA POLÍTICA!

Resistir e Libertar

IX Expressões Anarquistas

Posted in Sem categoria on 26 de setembro de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região