Arquivo para abril, 2010

Primeiro de maio: um feriado anarquista

Posted in primeiro de maio, referências on 30 de abril de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Ao contrário do que os partidos, os sindicatos pelegos, os burgueses e os Estados tentam nos fazer acreditar com seu revisionismo histórico, o primeiro de maio é um dia de origens anarquistas, decorrente das agitações pela jornada de trabalho de 8 horas, à qual 5 anarquistas de Chicago deram suas vidas. Há vasta literatura sobre os fatos reais do primeiro de maio, então reproduzimos abaixo um texto sucinto mas bastante informativo.

As Origens Trágicas e Esquecidas do Primeiro de Maio

Jorge E. Silva*

(http://www.nodo50.org/insurgentes/textos/mundo/19origensprimeiromaio.htm)

Maio já foi um mês diferente de qualquer outro. No primeiro dia desse mês as tropas e as polícias ficavam de prontidão, os patrões se preparavam para enfrentar problemas e os trabalhadores não sabiam se no dia 2 teriam emprego, liberdade ou até a vida.

Hoje, tudo isso foi esquecido. A memória histórica dos povos é pior do que a de um octogenário esclerosado, com raros momentos de lucidez, intercalados por longos períodos de amnésia. Poucos são os trabalhadores, ou até os sindicalistas, que conhecem a origem do 1° de maio. Muitos pensam que é um feriado decretado pelo governo, outros imaginam que é um dia santo em homenagem a S. José; existem até aqueles que pensam que foi o seu patrão que inventou um dia especial para a empresa oferecer um churrasco aos “seus” trabalhadores. Também existem – ou existiam – aqueles, que nos países ditos socialistas, pensavam que o 1° de maio era o dia do exército, já que sempre viam as tropas desfilar nesse dia seus aparatos militares para provar o poder do Estado e das burocracias vermelhas.

As origens do 1° de maio prendem-se com a proposta dos trabalhadores organizados na Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) declarar um dia de luta pelas oito horas de trabalho. Mas foram os acontecimentos de Chicago, de 1886, que vieram a dar-lhe o seu definitivo significado de dia internacional de luta dos trabalhadores.

No século XIX era comum (situação que se manteve até aos começos do século XX) o trabalho de crianças, grávidas e trabalhadores ao longo de extenuantes jornadas de trabalho que reproduziam a tradicional jornada de sol-a-sol dos agricultores. Vários reformadores sociais já tinham proposto em várias épocas a idéia de dividir o dia em três períodos: oito horas de trabalho, oito horas de sono e oito horas de lazer e estudo, proposta que, como sempre, era vista como utópica, pelos realistas no poder.

Com o desenvolvimento do associativismo operário, e particularmente do sindicalismo autônomo, a proposta das 8 horas de jornada máxima, tornou-se um dos objetivos centrais das lutas operárias, marcando o imaginário e a cultura operária durante décadas em que foi importante fator de mobilização, mas, ao mesmo tempo, causa da violenta repressão e das inúmeras prisões e mortes de trabalhadores.

Desde a década de 20 do século passado, irromperam em várias locais greves pelas oitos horas, sendo os operários ingleses dos primeiros a declarar greve com esse objetivo. Aos poucos em França e por toda a Europa continental, depois nos EUA e na Austrália, a luta pelas oitos horas tornou-se uma das reivindicações mais freqüentes que os operários colocavam ao Capital e ao Estado.

Quando milhares de trabalhadores de Chicago, tal como de muitas outras cidades americanas, foram para as ruas no 1° de maio de 1886, seguindo os apelos dos sindicatos, não esperavam a tragédia que marcaria para sempre esta data. No dia 4 de maio, durante novas manifestações na Praça Haymarket, uma explosão no meio da manifestação serviu como justificativa para a repressão brutal que seguiu, que provocou mais de 100 mortos e a prisão de dezenas de militantes operários e anarquistas.

Alberto Parsons um dos oradores do comício de Haymarket, conhecido militante anarquista, tipógrafo de 39 anos, que não tinha sido preso durante os acontecimentos, apresentou-se voluntariamente à polícia tendo declarado: “Se é necessário subir também ao cadafalso pelos direitos dos trabalhadores, pela causa da liberdade e para melhorar a sorte dos oprimidos, aqui estou”. Junto com August Spies, tipógrafo de 32 anos, Adolf Fischer tipógrafo de 31 anos, George Engel tipógrafo de 51 anos, Ludwig Lingg, carpinteiro de 23 anos, Michael Schwab, encadernador de 34 anos, Samuel Fielden, operário têxtil de 39 anos e Oscar Neeb seriam julgados e condenados. Tendo os quatro primeiros sido condenados à forca, Parsons, Fischer, Spies e Engel executados em 11 de novembro de 1887, enquanto Lingg se suicidou na cela. Augusto Spies declarou profeticamente, antes de morrer: “Virá o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso que as vozes que nos estrangulais hoje”.

Este episódio marcante do sindicalismo, conhecido como os “Mártires de Chicago”, tornou-se o símbolo e marco para uma luta que a partir daí se generalizaria por todo o mundo.

O crime do Estado americano, idêntico ao de muitos outros Estados, que continuaram durante muitas décadas a reprimir as lutas operárias, inclusive as manifestações de 1° de maio, era produto de sociedades onde os interesses dominantes não necessitavam sequer ser dissimulados. Na época, o Chicago Times afirmava: “A prisão e os trabalhos forçados são a única solução adequada para a questão social”, mas outros jornais eram ainda mais explícitos como o New York Tribune: “Estes brutos [os operários] só compreendem a força, uma força que possam recordar durante várias gerações…”

Seis anos mais tarde, em 1893, a condenação seria anulada e reconhecido o caráter político e persecutório do julgamento, sendo então libertados os réus ainda presos, numa manifestação comum do reconhecimento tardio do terror de Estado, que se viria a repetir no também célebre episódio de Sacco e Vanzetti.

A partir da década de 90, com a decisão do Congresso de 1888 da Federação do Trabalho Americana e do Congresso Socialista de Paris, de 1889, declararem o primeiro de maio como dia internacional de luta dos trabalhadores, o sindicalismo em todo o mundo adotou essa data simbólica, mesmo se mantendo até ao nosso século como um feriado ilegal, que sempre gerava conflitos e repressão.

Segundo o historiador do movimento operário, Edgar Rodrigues, a primeira tentativa de comemorar o 1 de maio no Brasil foi em 1894, em São Paulo, por iniciativa do anarquista italiano Artur Campagnoli, iniciativa frustrada pelas prisões desencadeadas pela polícia. No entanto, na década seguinte, iniciaram-se as comemorações do 1 de maio em várias cidades, sendo publicados vários jornais especiais dedicados ao dia dos trabalhadores e números especiais da imprensa operária comemorando a data. São Paulo, Santos, Porto Alegre, Pelotas, Curitiba e Rio de Janeiro foram alguns dos centros urbanos onde o nascente sindicalismo brasileiro todos os anos comemorava esse dia à margem da legalidade dominante.

Foram décadas de luta dos trabalhadores para consolidar a liberdade de organização e expressão, que a Revolução Francesa havia prometido aos cidadãos, mas que só havia concedido na prática à burguesia, que pretendia guardar para si os privilégios do velho regime.

Um após outro, os países, tiveram de reconhecer aos novos descamisados seus direitos. O 1° de maio tornou-se então um dia a mais do calendário civil, sob o inócuo título de feriado nacional, como se décadas de lutas, prisões e mortes se tornassem então um detalhe secundário de uma data concedida de forma benevolente, pelo Capital e pelo Estado em nome de S. José ou do dia, não dos trabalhadores, mas numa curiosa contradição, como dia do trabalho. Hoje, olhando os manuais de história e os discursos políticos, parece que os direitos sociais dos trabalhadores foram uma concessão generosa do Estado do Bem-Estar Social ou, pior ainda, de autoritários “pais dos pobres” do tipo de Vargas ou Perón.

Quanto às oitos horas de trabalho, essa reivindicação que daria origem ao 1º de maio, adquiriu status de lei, oficializando o que o movimento social tinha já proclamado contra a lei. Mas passado mais de um século, num mundo totalmente diferente, com todos os progressos tecnológicos e da automação, que permitiram ampliar a produtividade do trabalho a níveis inimagináveis, as oitos horas persistem ainda como jornada de trabalho de largos setores de assalariados! Sem que o objetivo das seis ou quatro horas de trabalho se tornem um ponto central do sindicalismo, também ele vítima de uma decadência irrecuperável, numa sociedade onde cada vez menos trabalhadores terão trabalho e onde a mutação para uma sociedade pós-salarial se irá impor como dilema de futuro. Exigindo a distribuição do trabalho e da riqueza segundo critérios de eqüidade social que o movimento operário e social apontou ao longo de mais de um século de lutas.

*Membro do Centro de Estudos Cultura e Cidadania – Florianópolis (CECCA)

O 1º DE MAIO

Posted in primeiro de maio, referências on 22 de abril de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Rudolf Rocker

O primeiro raio de sol do dia de maio surge sobre os túmulos silenciosos de Waldheim e descobre lentamente o modesto monumento dos cinco anarquistas que sucumbiram em novembro de 1887 nas mãos do carrasco. É do túmulo comum dos cinco militantes que surge a idéia universal do Primeiro de Maio.

O terrível assassinato de Chicago foi o epílogo sinistro desse grande movimento que se produziu em 1o de maio de 1886 em todos os centros industriais dos Estados Unidos a fim de obter para o proletariado americano, com a arma da greve geral, a jornada de oito horas. Esses cinco anarquistas, cujos restos repousam sobre o verde gramado de Waldheim, foram os porta-vozes mais valorosos e mais audaciosos na grande luta entre o capital e o trabalho, e tiveram de pagar com suas vidas a fidelidade a seus irmãos de combate. Inspirado pelo espírito dos cinco enforcados, o Congresso Internacional de Paris, em 1889, concebeu a resolução que proclamava o 1o de maio dia feriado do proletariado universal e nunca uma resolução encontrou eco tão poderoso e entusiasta no seio do grande povo dos deserdados. Viu-se na realização prática dessa resolução um símbolo da emancipação vindoura.

Nem o ódio cego dos exploradores, nem as miseráveis tentativas dos políticos socialistas foram capazes de mudar o sentido profundo dessa manifestação característica ou de fazê-la degenerar. Como um intenso clarão, a idéia viveu no imenso coração do povo trabalhador de todos os países e não pôde ser extirpada, mesmo durante os tempos de dura reação. Isso porque se tratava de uma idéia surgida das profundezas e que deveria manter solidamente no espírito das massas uma esperança lutando por  uma expressão viva e apelando à vigorosa consciência dos oprimidos como um novo pensamento. A idéia ressurgiu do mais profundo: não é de cima que florescerá nosso bem-estar, é de baixo que deve vir a força que romperá nossas correntes e dará asas à nossa aspiração.

O 1o de Maio é para nós um símbolo, um símbolo da liberação social pelo meio da ação direta que encontra sua forma mais acabada na greve geral. Todos aqueles que sofrem a servidão e que a preocupação cotidiana da existência marca com seu selo, o enorme exército de todos aqueles que extirpam o tesouro os tesouros da terra, trabalham nos altos fornos ou dirigem a charrua pelos campos, todos esses milhões de seres que devem satisfazer o capital, em inumeráveis fábricas e oficinas, por um tributo de sangue, os trabalhadores manuais e intelectuais de todos os continentes, todos serão parte dessa imensa e invencível associação do seio da qual brotará um novo futuro assim que o conhecimento de sua desoladora existência ancorar fortemente na consciência de cada um de seus membros. Sobre seus ombros, repousa um mundo inteiro; ela sustenta o destino de toda a sociedade em suas mãos e sem sua força criadora, toda vida humana está condenada à morte.

A venda de seu trabalho e de seu espírito é a causa oculta de sua servidão e de sua dependência: a recusa de efetuar esse trabalho para os monopolistas deve, por conseqüência, transformar-se em instrumento de sua emancipação. O dia em que essa evidência iluminar o espírito dos oprimidos, esse dia anunciará o grande crepúsculo dos deuses da sociedade capitalista.

O 1o de Maio dever ser para nós um ensinamento que leve à consciência dos trabalhadores e dos oprimidos a enorme energia que está em suas mãos. Essa força deita raízes na economia, em nossa atividade como produtores. A sociedade nasce todo dia dessa força e recebe a todo momento as possibilidades de sua própria existência. Nisso, o membro de um partido não conta, mas sim o mineiro, o ferroviário, o ferreiro, o camponês, o homem que produz os valores sociais e cuja energia criadora mantém o mundo em movimento. A alavanca de nossa força está aí; nesse fogo deve ser forjada a arma que ferirá mortalmente o bezerro de ouro.

Não falamos aqui da conquista do poder, mas da conquista da fábrica, dos campos, da mina. Pois todo poder político não foi outra coisa senão violência organizada que impõe às grandes massas do povo a dependência econômica em relação às minorias privilegiadas. A opressão política e a exploração econômica vão juntas, completam-se e uma não pode existir sem o apoio da outra. É absurdo crer que futuras instituições governamentais constituirão um dia uma exceção.

O importante não é a etiqueta exterior, mas a essência de uma instituição; e a pior forma das tiranias foi sempre aquela exercida em nome do povo ou de uma classe. Por conseqüência, toda autêntica luta contra o monopólio da posse é ao mesmo tempo uma luta contra o poder que o protege, e, assim como o objetivo do proletariado militante no terreno econômico é a abolição e a supressão do monopólio privado sob todas as suas formas, seu objetivo político deve ser também a supressão de toda instituição do poder. Aquele que utiliza uma dessas formas para aniquilar a outra não compreendeu a verdadeira significação do socialismo, e é sempre a aplicação do mesmo princípio de autoridade que foi até aqui a pedra angular de todas as tiranias.

O 1o de Maio deve ser um símbolo da solidariedade internacional, de uma solidariedade não limitada à competência do Estado nacional que corresponde sempre aos interesses das minorias privilegiadas do país. Entre os milhões de assalariados que suportam o jugo da escravidão, existe uma unidade de interesses, qualquer que seja a língua que eles falem e a bandeira sob a qual nasceram.

Mas entre os exploradores e os explorados de um mesmo país, existe uma guerra ininterrupta que não pode ser solucionada por qualquer princípio de autoridade e que adquire suas raízes nos interesses contraditórios das diversas classes.

Todo nacionalismo é um disfarce ideológico dos verdadeiros fatos: ele pode, num dado momento, arrastar as grandes massas para seus representantes mentirosos, mas ele nunca foi capaz de abolir desse mundo a brutal realidade das coisas.

As mesmas classes que, na época da Guerra Mundial, tentaram elevar o patriotismo do povo até a exaltação, enviam hoje os produtos do trabalho do proletariado alemão àquele que foi em outros tempos “o inimigo estrangeiro”, enquanto falta às grandes massas o mais necessário em seu próprio país. Os interesses nacionais das classes dominantes são colocados em balança quando eles são idênticos aos interesses de sua carteira e que eles produzem a porcentagem necessária. Se milhões de pobres diabos deixaram suas vidas ou seus membros nessa loucura das grandes matanças dos povos, nunca foi porque eles queriam pagar tal ou qual dívida da honra nacional, mas porque seus cérebros foram mantidos nas trevas dos preconceitos artificialmente criados. Essa sangrenta tragédia se repetirá, a menos que os operários tomem conhecimento das verdadeiras maquinações da guerra e das pantalonadas nacionalistas. A luta infatigável contra o militarismo, não as vulgaridades pacifistas, é-nos, portanto, necessária.

Enquanto os trabalhadores tiverem dispostos a produzir os instrumentos de morte violenta e do massacre das massas, a “sede de sangue” dos povos não desaparecerá; para os escravos que forjam eles próprios suas cadeias, a liberação nunca chegará. Assim, o 1o de Maio é para nós uma poderosa manifestação contra todo militarismo e contra a imensa fraude nacionalista por trás dos quais ocultam-se os interesses brutais das classes possuidoras.

É preciso criar um novo futuro sobre as bases do socialismo libertário, sob o sopro ardente do qual as concepções moribundas dos tempos passados e as instituições carcomidas do presente desaparecerão no abismo do que foi, para abrir a era da verdadeira liberdade, da autêntica igualdade e do amor humano.

Celebramos o 1o de Maio nesse sentido, como o símbolo de um futuro próximo que germinará no seio do povo revolucionário para redimir o mundo da maldição das dominações de classes e da escravidão do salariado.

1o de maio de 1936.

* Tradução: Plínio A. Coêlho.


Piquenique Anarquista neste domingo

Posted in piquenique, primeiro de maio, voto nulo on 15 de abril de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Dia 18 de abril (domingo) vai rolar um pic-nic anarquista em Piracicaba.

As pessoas levam algum prato, sanduiches (de preferência vegetariano) e bebidas para uma confraternização na região central de Piracicaba.

A idéia é trocar idéias, poesias, ouvir músicas (podem levar um pendrive que há uma caixa amplificada que toca).

Há dois temas principais em torno dessa atividade: Primeiro de Maio e Voto Nulo.

O local é praça José Bonifácio, centro de Piracicaba (perto do coreto!) a partir das 10h.

A iniciativa é dos núcleos FOSP de Campinas, Piracicaba, Limeira e Rio Claro.

Grandes abraços, nos vemos nas ruas!!!

 

*Atualização: Veja fotos em Resistir e Libertar

2ª parte da oficina de batuque

Posted in oficina on 13 de abril de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Neste sábado, 17/04/2010, às 15h00, estaremos novamente na Praça José Bonifácio pra segunda parte da oficina de percussão a partir de materiais reciclados, onde usaremos os tambores que preparamos na última oficina. Também iniciaremos uma discussão sobre anarquismo e planejaremos nossas futuras ações. Aguardamos tod@s lá!