Archive for the referências Category

A Filosofia do Anarquismo – Edgar Rodrigues

Posted in referências on 4 de julho de 2011 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Edgar Rodrigues“O anarquismo firma-se no apoio mútuo e na solidariedade humana. É uma doutrina profundamente humanitarista. Seus militantes integram-se ideologicamente formando organismos humano-sociais, valores universais dentro dos Grupos, das federações e na sociedade.
O anarquismo embasa uma Nova Ordem Social de liberdade plena, na qual as riquezas naturais, e as resultantes do trabalho manual, intelectual e mecânico ou eletrônico, isto é, a produção, o consumo e a educação, devem satisfazer às necessidades de todos e de cada um, independente das idades, sexos, raças e/ou cores. Anarquismo não é discriminatório, nacionalista, intelectual, operário, masculino, feminino, é uma ideologia do Ser Humano!!!
O anarquismo propõe a substituição da organização regulamentada por cercas jurídicas, obrigatoriamente padronizada e robotizada, pela organização voluntária, embasada no livre acordo, espontaneamente firmado por afinidades, eternamente dissolúvel, desde que os interesses e reciprocidades deixem de existir.
Tornou-se hábito estabelecer consensos, regras, leis condicionadoras, em dimensões tais que alienam o homem para que este aceite resignadamente a desigualdade e a exploração. O anarquismo opõe-se a estes costumes, não aceita que o homem precise ser governado e/ou explorado, e repele o conceito condicionador de que o contrário, além de utópico, é irrealizável, uma calamidade pública de proporções incalculáveis.
Não é verdade que o indivíduo precise sofrer a autoridade dos governantes e dos seus auxiliares para ser cumpridor de seus deveres, saber conviver com a liberdade que por obra e graça dos sofismas políticos ‘termina sempre onde começa a do semelhante’, como se todos os seres humanos tivessem necessidades que pudessem ser medidas ou pesadas.
O anarquismo – doutrina dos anarquistas – rechaça a ‘convicção’ de que o homem deva deixar-se deformar abdicando daquilo que possui de mais importante: a inteligência, a razão, a vontade de ser livre! O anarquista vê a ciência, o saber e a liberdade como patrimônios públicos, de todos, tão necessários quanto a luz e o ar que respiramos.
Por isso os anarquistas advogam que o acesso de todos a esse valioso Bem Comum se transforme em princípio Novo dentro da Nova Educação!
O anarquismo é a filosofia da Humanidade. Todos nós – querendo ou não – somos um pouco anarquistas. Os seres humanos se completam no anarquismo e atingem a expressão máxima de seu desenvolvimento.
O anarquismo não se fecha, não está enquadrado em nenhum esquema preestabelecido a servir de roteiro para a conduta humana. É a própria Vida! Vai até onde o sentido da liberdade o possa conduzir. A essência da Anarquia é a liberdade plena e a responsabilidade.”

Este texto foi extraído do livreto “Anarquismo à moda antiga”, escrito em 1985 por Edgar Rodrigues, que pode ser adquirido com a editora Achiamé por R$ 3,00.

Anúncios

por que Hitler não era vegetariano

Posted in referências on 29 de junho de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

POR QUE HITLER NÃO ERA VEGETARIANO

Rynn Berry

Tradução: Camilo Álvares

Um dos comentários frequentemente direcionados àquelas pessoas como eu que escrevo sobre pessoas vegetarianas famosas do passado – e sobre como muito delas eram modelos de não-violência e compaixão – é o seguinte: “Mas Hitler não era vegetariano?” Um exemplo disso aconteceu em 1991, quando eu escrevi para o New York Times comentando sobre o vegetarianismo de Isaac Bashevis Singer e como esta importante qualidade da vida de Singer foi ignorada em seu recente obituário. Eu havia entrevistado Singer para meu livro Famous Vegetarians and Their Favorite Recipes e ele havia sido veemente na questão de respeito pelos animais.

Duas semanas depois, sob o título “O Caminho Vegetariano para a Paz Mundial”, o Times publicou uma resposta à minha carta da conhecida autora e ensaísta novaiorquina Janet Malcom. Vale a pena uma citação completa: “A bela carta de Rynn Berry sobre o vegetarianismo de Isaac Bashevis Singer me lembrou do comentário que o Sr. Singer fez durante um almoço a uma mulher que percebeu positivamente que ele havia se recusado a comer um prato com carne e que sua saúde havia melhorado quando ela também largou a carne. ‘Eu faço isso pela saúde das galinhas’, o sr. Singer disse. A crença do Sr. Singer, citada pelo Sr. Berry, de que ‘tudo que se conecta ao vegetarianismo é da mais alta importância, porque nunca haverá paz no mundo enquanto comermos animais”, pode ter deixado algumas pessoas confusas. O que comer ou deixar de comer carne tem a ver com a paz mundial?’ Milan Kundera nos dá a resposta na página 289 de A Insustentável Leveza do Ser: ‘A verdadeira bondade humana, em toda sua pureza e liberdade, pode vir à tona somente quando seu recipiente não tem poder. O verdadeiro teste moral da humanidade (que está profundamente escondido da visão) consiste de sua atitude perante quem está à sua misericórdia: os animais. E, nesse aspecto, a humanidade cometeu uma falha tão fundamental que todas as outras se ramificam a partir dela.’”

A resposta de Janet Malcom a minha carta provocou a resposta de outro leitor do Times. Sob o título “E Quanto a Hitler?”, o escritor criticava a Srta. Malcom por implicar que a aceitação universal do vegetarianismo traria paz mundial porque “Adolf Hitler foi vegetariano por toda a sua vida e escreveu extensivamente a respeito”.

Para mim, esta questão era previsível demais, pois eu ainda não pude falar sobre o vegetarianismo sem que essa questão de mal gosto a respeito do vegetarianismo de Hitler fosse levantada. Invariavelmente, em cada assinatura em livraria, em cada palestra, em cada entrevista por telefone para a televisão, pelo menos uma pessoa me perguntou jocosamente: “Hitler está em seu livro?” ou “Por que você não colocou Hitler no seu livro?”

Em seguida à última carta em Setembro de 1991, o New York Times publicou duas réplicas a essa questão. Sob o título “Não ponha Hitler entre os vegetarianos”, o correspondente (Richard Schwarts, autor de Judaísmo e Vegetarianismo) explicou que Hitler ocasionalmente adotaria regimes vegetarianos para se curar de sudorese e flatulência excessivas, mas que sua dieta principal era baseada em carne. Ele também citou Robert Payne, Albert Speer e outros famosos biógrafos de Hitler, que mencionaram a sua predileção por comidas não vegetarianas como linguiças bavárias, presunto, fígado e caçados. Ademais, ele argumentava, se Hitler tivesse sido vegetariano, ele não teria banido as organizações vegetarianas na Alemanha e nos territórios ocupados, nem teria deixado de pedir uma dieta sem carne ao povo alemão como uma maneira de lidar com a escassez alimentar da Alemanha na Segunda Guerra Mundial.

Sob a manchete “Ele Adorava Pombo Assado”, outra correspondente citava uma passagem de um livro de receitas que havia sido escrito por uma chefe europeia, Dione Lucas, uma testemunha do onivorismo de Hitler. Em seu Gourmet Cooking School Cookbook (1964), Lucas, lembrando de sua experiência como chefe de cozinha em um hotel em Hamburgo durante os anos 1930, se lembrou de ter sido frequentemente chamada para preparar o prato preferido de Hitler, que não era vegetariano: “Eu não quero estragar seu apetite por pombo recheado,” ela escreve, “mas talvez você se interesse em saber que ele era um grande favorito do Sr. Hitler, que jantava no hotel frequentemente. Porém, não deixemos que isso estrague uma bela receita.”

Nem mesmo o New York Times de agosto tem uma equipe grande o suficiente para verificar todos os fatos nas cartas publicadas na seção de Cartas ao Editor; então, eu decidi procurar passagens específicas na biografia de Hitler escrita por Payne e The Gourmet Cooking School Cookbook de Dione Lucas que colocam dúvidas sobre o vegetarianismo de Hitler. Com certeza, Robert Payne, cuja biografia de Hitler, The Life and Death of Adolf Hitler, que foi chamada de definitiva, desmente o rumor de que Hitler possa ter sido vegetariano. De acordo com Payne, o vegetarianismo de Hitler foi uma mentira inventada por seu ministro de propaganda Joseph Goebbels para dar a ele a aura de um revolucionário asceta, um Gandhi fascista, se você preferir. É válido citar diretamente a partir da biografia de Payne:

“O ascetismo de Hitler desempenhou um papel fundamental na imagem que ele projetou sobre a Alemanha. De acordo com a lenda amplamente disseminada, ele não fumava e nem bebia, nem comia carne nem tinha nada com mulheres. Somente o primeiro era verdade. Ele bebia cerveja e vinho diluído frequentemente, tinha uma apreciação especial por linguiças bávaras e mantinha uma amante, Eva Braun, que vivia com ele silenciosamente no Berghof. Houve outros casos discretos com mulheres. Seu ascetismo era uma mentira inventada por Goebbels para enfatizar sua dedicação total, seu autocontrole, a distância que o separava dos outros homens. Através dessa demonstração de ascetismo, ele podia alegar que estava dedicado ao serviço de seu povo.”

“De fato, ele era notadamente autoindulgente e não possuía nenhum instinto de asceta. Seu cozinheiro, um homem enormemente gordo chamado Willy Kanneneberg, produzia refeições especiais e agia como um bobo da corte. Apesar de Hitler não apreciar carne exceto na forma de linguiças e de nunca comer peixe, ele gostava de caviar. Ele era conhecedor de doces, frutas cristalizadas e bolos de creme, os quais ele consumia em quantidades assustadoras. Ele bebia chá e café mergulhados em creme e açúcar. Nenhum ditador jamais gostou tanto de doces.”

E aí nós temos: Hitler comia linguiças bávaras e caviar. Nem mesmo a definição mais flexível de vegetarianismo pode ser esticada para englobar estas abominações gastronômicas. Ainda, porque pessoas que não são vegetarianas possuem uma definição elástica do que constitui uma vegetariana, elas acham que pessoas como Hitler que comem peixe, pombo e linguiças são vegetarianas. Por este critério, até mesmo chacais e hienas, que comem frutas e vegetais entre as matanças, poderiam ser classificadas como vegetarianas. A Dra. Roberta Kalechofsky argumenta de forma semelhante em seu ensaio entitulado “O Vegetarianismo de Hitler: Uma Questão de Como Você Define Vegetarianismo”2:

“O material biográfico sobre o alegado ou qualificado vegetarianismo de Hitler são contraditórios. Ele era algumas vezes descrito como ‘vegetariano’, mas seu gosto por linguiças, caviar e ocasionalmente presunto era bem conhecido. Por outro lado, por base nas comidas que se sabe que ele gostava ou comia, a ‘carne vermelha’ nunca é listada. Seu alegado vegetarianismo era frequentemente acompanhado de uma descrição dele como um indivíduo asceta. Por exemplo, no dia 14 de abril de 1996, a edição de domingo do New York Times, comemorando seu 100º aniversário, incluía esta descrição anterior da dieta de Hitler em um artigo publicado previamente em 30 de maio de 1937, ‘Em Casa com o Fuhrer’:

‘É bastante conhecido que Hitler é vegetariano e que não fuma ou bebe. Seu almoço e jantar consistem, portanto, em sua maior parte, de sopa, ovos, verduras e água mineral, apesar dele ocasionalmente se deliciar com uma fatia de presunto e aliviar a monotonia de sua dieta com delícias como caviar…’

“A definição do New York Times de ‘vegetariano’, que incluía comidas como presunto é uma enorme flexibilização da definição de ‘vegetariano’”.3

Uma grande flexibilização, de fato! Mesmo tão cedo quanto 1911, a 11ª edição da Enciclopédia Britânica (um dos mais amplamente consultados trabalhos de referência) definia vegetarianismo como o que se segue: “vegetarianismo, uma palavra relativamente moderna, que começou a ser usada aproximadamente no ano de 1847, aplicada para o uso de comidas das quais peixe, carne e aves são excluídas.”4 Então, realmente não há desculpa para que um editor do New York Yimes escrevendo nos anos 1930 esteja tão desinformado ao ponto de ter chamado Hitler de vegetariano.

Todavia, os biógrafos modernos, que também deveriam saber mais, perpetuaram o mito de que Hitler era vegetariano simplesmente porque eles falharam em fazer sua lição de casa neste assunto; então, seus livros, apesar de esclarecedores em outros aspectos, são falhos. Mesmo médicos que assinaram biografias de Hitler estão risivelmente mal-informados a respeito da dieta vegetariana sobre a qual escreveram com ar de autoridade pomposa. Para citar apenas o exemplo mais recente: o Dr. Fritz Redlich, em seu livro Hitler: Diagnosis of a Destructive Prophet, diz “Vários associados de Hitler, entre eles Otto Wagener, relataram que Hitler se tornou um vegetariano depois da morte de sua sobrinha Angela (Geli) Raubal em 1931. Quando adolescente e adulto jovem, Hitler com certeza comia carne. Ele também comia carne durante seu serviço na Primeira Guerra Mundial e provavelmente antes de seu aprisionamento em Landsberg. O vegetarianismo de Hitler era bem estrito.5 Ele apreciava a comida crua mas não aderia a uma dieta de comidas não cozidas, a qual era uma moda na época. Ele evitava qualquer tipo de carne, com a exceção de um prato austríaco que adorava, Leberknodl (crosta de fígado).”6 É típico que o Dr. Redlich não se sente obrigado a explicar como Hitler poderia ser um vegetariano estrito e ainda cultivar sua paixão por crostas de fígado!

Hitler não se descreveu como um “vegetariano” até 1937. Isso pode ter sido precipitado por uma resposta emocional à morte de sua sobrinha que esteve apaixonada por ele e que pode ter tirado sua própria vida. Isto pelo menos foi o que pensava Frau Hess, um amigo próximo de Hitler: “Ele havia feito tais observações anteriormente, e havia flertado com a ideia do vegetarianismo, mas, desta vez, de acordo com Frau Hess, ele estava falando sério. Daquele momento em diante, Hitler nunca comeu nenhum outro pedaço de carne com exceção de crostas de fígado.”7 Sobre esta passagem, que é citada na biografia de Hitler de John Toland, o Dr. Kalechofsky comenta: “Isso é consistente com outras descrições da dieta de Hitler, que sempre incluía alguma forma de carne, fosse presunto, linguiças ou crostas de fígado.”8

Ainda, poderia-se ideduzir que Hitler não era um vegetariano verdadeiro devido ao seu pobre estado de saúde. Em sua carta ao Times, Richard Schwartz mencionou que Hitler havia sofrido de sudorese e flatulência excessivas. Além destas enfermidades, ele também sofria de apodrecimento dentário, desordens gástricas agudas, endurecimento das artérias (uma doença tipicamente onívora), uma indisposição do fígado9, e ele possuía doença cardíaca incurável (esclerose coronária progressiva)10. Seus médicos lhe deram doses pesadas de drogas que incluíam uma solução de cocaína a dez por cento11, pílulas de estricnina12, e injeções de testículos bovinos pulverizados13. Certamente ele não experimentou a saúde robusta que passou a ser associada com o vegetarianismo; pelo contrário, seus sintomas são aqueles associados com uma alta ingestão de comida animal.

Mais além, durante o Reich, indivíduos vegetarianos foram proibidos de organizar novos grupos ou iniciar publicações. Uma revista vegetariana de destaque, Vegetarian Warte, suspendeu sua publicação em Frankfurt em 1933. Um jornal competidor, The Vegetarian Press, foi permitido a se arrastar durante os anos nazistas, mas severamente debilitado: foi proibido de usar o termo “movimento vegetariano”, e foi impedido de publicar a hora e o local de encontros vegetarianos.

Consequentemente, os vegetarianos, dispostos a correr o risco de aprisionamento ou pior, foram compelidos a se encontrarem em segredo. Hitler ilegalizou a sociedade mazdeana – que era baseada nos ensinamentos vegetarianos de Zoroastra – ostensivamente porque seu presidente, Dr. Rauth, era judeu. Mas todas as outras sociedades vegetarianas foram declaradas ilegais e foram forçadas a se tornar membros da Sociedade Alemã para a Reforma Viva. Membros destas antigas sociedades vegetarianas estavam sujeitos a buscas em suas casas; durante estas investidas, a Gestapo até mesmo confiscava livros que continham receitas vegetarianas. Enquanto era chanceler, Hitler não fez nada para avançar a causa do vegetarianismo na Alemanha. Com uma assinatura, ele poderia ter feito o vegetarianismo a lei dietética do país. Ao invés disso, fez de tudo que pôde para combatê-lo.

Durante o percurso de confirmação de fatos na literatura bibliográfica de Hitler, eu não pude deixar de notar o quão apaixonado Hitler era em sua denúncia dos maus do tabaco. Ele disse, “Eu não ofereceria um cigarro a ninguém que eu admirasse, já que eu estaria fazendo-o um mau serviço. É consenso universal que não fumantes vivem mais que fumantes, e que durante a doença possuem mais resistência.”14 De fato, ele possuía uma oferta corrente de um relógio de ouro pra qualquer um em seu círculo que abandonasse o tabaco. À sua amante, Eva Braun, entretanto, ele deu um ultimato: “Deixe de fumar ou me deixe.”15 Me ocorreu que, se Hitler fosse um vegetariano verdadeiro, ele teria sido tão incisivo contra o consumo de carne quanto era contra o cigarro, mas eu procurei em vão por tal discussão. Certamente, não havia uma oferta por um relógio de ouro para quem abandonasse o onivorismo; nem ele deu um ultimato a Eva Braun de “Deixe de comer carne ou me deixe.”

Finalmente, eu decidi checar a referência ao prato favorito de Hitler em The Gourmet Cooking School Cookbook, de Dione Lucas. Vale a pena notar que Dione Lucas foi uma espécie de precursora da popular chefe “francesa” de televisão, Julia Childe. Uma das primeiras a abrir uma escola de culinária de sucesso nos EUA, Lucas também foi uma das primeiras chefes a popularizar a cozinha francesa na televisão nos anos 1950 e 60. Durante os anos 1930, antes de vir aos EUA, ela havia trabalhado como chefe de cozinha em um hotel em Hamburgo, onde Adolf Hitler era um de seus clientes regulares. Em uma de minhas expedições de caça a livros, eu encontrei uma cópia de seu Gourmet Cooking School Cookbook em um brechó. Tirando a poeira e teias de aranha que se depositaram em sua capa, eu o abri e fui para a página 89. Havia, tão claro quanto o bigode chaplinesco na face do Fuhrer, a receita preferida de Hitler.

“Eu aprendi esta receita enquanto trabalhava como chefe antes da Segunda Guerra Mundial, em um dos grandes hotéis de Hamburgo, Alemanha. Eu não quero estragar seu apetite por pombo recheado, mas talvez você se interesse em saber que ele era um grande favorito do Sr. Hitler, que jantava no hotel frequentemente. Porém, não deixemos que isso estrague uma bela receita.”16

Quase tão revelador quanto o primeiro parágrafo era o que o seguia: “Uma das grandes irritações ao se comer pombo são as dezenas de pequenos ossos com que você deve lutar para cada pedaço de carne que pega. A hora que tiver terminado, seu prato parece uma tumba, você está exausta, e há uma suspeita persistente de que a caça não valeu a pena.”17 Sentado em seu abrigo em Berlin, segurando a pistola Walther 7.65 que terminaria sua vida, Hitler deve ter ecoado os sentimentos de Lucas enquanto analisava as ruínas de seu Reich – a tumba que era a Europa, a exaustão física e mental e a sensação de que a caça não valeu a pena. Está tudo aí – a queda do “Reich de mil anos” em um prato de pombo!

Acredita-se que Hitler morreu de uma ferida de arma autoinfligida; sua esposa, Eva Braun, de uma dose de cianeto de potássio autoadministrada. Quando Hitler se consultou com seu médico sobre a forma mais eficiente de cometer suicídio, seu médico recomendou que atirasse através da têmpora, e, ao mesmo tempo, mordesse uma ampola de cianeto de potássio. É notável que Hitler, este suposto vegetariano e amante dos animais, não teve remorso quanto a testar inicialmente o cianeto em seu cão Blondi.18

É irônico que as pessoas estejam tão dispostas a especular sobre a verdade a respeito do comprometimento absoluto de Isaac Bashevis Singer quanto ao bem-estar dos animais, no entanto tão dispostas a crer em um mito sobre o vegetarianismo de Hitler. Também é irônico que minha carta ao editor sobre o vegetarianismo de Isaac Bashevis Singer teria desencadeado uma corrente de cartas que terminaria em explodir o mito do vegetarianismo de Hitler. É claro, não há forte razão por que este mito deveria ter embaraçado um movimento que contribui tanto à “saúde das galinhas”, como Singer uma vez expressou sua preocupação, à saúde dos seres humanos e à saúde ecológica do planeta. Todavia, não dói ter finalmente esclarecido nos arquivos que Pitágoras, Leonardo da Vinci, Tolstoi, Shaw, Gandhi e Singer eram vegetarianos, mas que o Sr. Hitler – que gostava de seus pombos recheados e assados – não o era.

1 Robert Payne, The Life and Death of Adolf Hitler (New York: Praeger, 1973), pp. 346-7.

2 Roberta Kalechofsky, Hitler’s Vegetarianism: A Question of How You Define Vegetarianism, (Ensaio não publicado, 1997).

3 ibid., p.1.

4 Vegetarianism, The Encyclopedia Britannica, 1911 ed., 27-28, p. 967.

5 O itálico é meu.

6 Fritz Redlich, Hitler: Diagnosis of a Destructive Prophet (Oxford: OUP, 1998), pp.77-8.

7 John Toland: Adolf Hitler (Garden City: Doubleday, 1976), p. 256.

8 Kalechofsky, op. cit., p.2.

9 Toland, op cit., p .826.

10 ibid., p. 745.

11 ibid., p. 821.

12 ibid., pp. 824-5.

13 ibid., p. 761.

14 ibid., p. 741.

15 ibid., p. 741.

16 Dione Lucas e Darlene Geis, The Gourmet Cooking School Cookbook (New York: Bernard Geis Associates, 1964), p. 89.

17 ibid., p. 89.

18 Redlich, op. cit., p. 216.

O Mundo Invertido

Posted in feminismo, referências on 20 de junho de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Inverta o termo de gênero homem por mulher. Imagine que a palavra mulher inclui, é claro, também o homem, porque seria a palavra mulher que definiria o gênero humano. Imagine que sempre viveu em uma sociedade semelhante à nossa na qual desde que éramos crianças a palavra mulher era usada para denominar tanto o pai como a mãe. Isto é, quando nesta sociedade dizemos mulher estamos incluindo, às vezes sim, às vezes não, os homens (Como você se sente pelo fato de que se identifiquem homens e mulheres com uma palavra feminina?)

Cada dia de sua vida será dessa maneira. Sinta a presença da mulher e a insignificância do homem. Pense na história da humanidade construída, como é lógico, pelas grandes mulheres, as heroínas da pátria, as cientistas, sábias e inventoras. Sinta o poder e a autoridade das mulheres. Os bustos e retratos das mulheres que fizeram história estão em todos os edifícios públicos, nos parques e nos selos. Seus nomes estão nas avenidas e nas ruas. Quando há nomes de homens, geralmente são os esposos, amantes, pais ou filhos das grandes mulheres ou são homens que só existem na fértil imaginação das mulheres (Você pode imaginar uma cidade repleta de imagens das grandes matriarcas? Como é que você se sente em uma cidade assim?).

Recorde como eram as famílias nos filmes, nas telenovelas, nos romances, e talvez em sua própria família. Recorde que a mãe sai todos os dias para trabalhar e o pai fica em casa limpando, cozinhando, lavando, cuidando do bebê, indo ao mercado, procurando alguém para consertar algo que se quebrou ou desmontou em casa, pedindo desculpas ao vizinho pela janela que a Mariazinha quebrou, procurando Rosinha para passar-lhe uma bronca, fazendo contas para saber porque o dinheiro não dá e milhares de outras coisas.

Mas todas crêem e dizem que quem trabalha é a mãe. É ela quem dá o dinheiro ao pai para que compre as coisas que toda a família necessita. O pai fica em casa e não trabalha. O pai bronqueia e se queixa. E quando a mãe chega todas devem estar quietinhas, o pai e todas as filhas, porque a mãe fica mal-humorada, chega muito cansada do trabalho e não tem porque ouvir e tolerar as bobagens da casa. Aos domingos toda a família sai para passear, mas o pai não brinca com você, ele continua com a cozinha e “peguem isso, não façam aquilo”. Em compensação a mãe está feliz, jogando futebol, correndo com a cachorra, comprando sorvetes (Como é que você sente esta distribuição da autoridade dentro de casa? Você pode imaginar o pai fazendo todo o serviço de casa? Como é que você imagina um pai que faz tudo dentro de casa? Com quem você se identifica? De quem você sente pena? Acha que é justo ou injusto?).

Lembre-se que tudo o que você leu durante toda a sua vida só usa pronomes femininos, ela, dela, delas, mesmo quando a referência era a meninas e meninos, mulheres e homens. Lembre-se do livro em que você aprendeu a ler: “a mãe move o mundo; o pai pega os pratos”. Lembre-se de que apesar de que desde pequena disseram a você que as mulheres e os homens são iguais, nas telenovelas, no cinema, nas canções, isso não é assim. As mulheres são as heroínas, as que fazem coisas importantes e se movem na esfera pública. Os homens, quando aparecem, são o bandido do filme, o que abandonou a heroína ou o tonto que escolheu mal a sua mulher.

Toda a vida dos homens gira ao redor de sua mulher e parece que eles só pensam em sua aparência física. Além do mais, os homens nunca são solidários entre eles, sempre fofocando e falando de coisas sem importância ou falando mal do seu melhor amigo.

Nos contos de fadas, os homens sempre têm que esperar serem salvos por uma mulher forte e boa que lhes dará tudo o que eles não podem fazer por si mesmos (Como você se sente sabendo que os homens devem ser salvos pelas mulheres?).

Recorde que embora sempre tenham dito a você que a Deusa não tem sexo, sempre que você viu a imagem dela nas igrejas e santinhos, é uma mulher com uma longa cabeleira branca e na Igreja Católica só as mulheres podem rezar missa e só elas foram eleitas Mamas da Santa Igreja. E, embora na Bíblia exista um relato de que a Deusa criou a mulher e o homem no mesmo ato, o relato mais difundido e o que se conta para as meninas é o de Eva e Adão em que a Deusa criou primeiro Eva e depois tirou Adão da sua costela, para que Eva não ficasse sozinha no paraíso. Mas depois Adão fez Eva pecar ao convencê-la a comer a fruta proibida e desde então a humanidade inteira sofre por culpa do Adão. (O que você experimentou ao sentir que nós mulheres somos princípio e fim do gênero humano, as criaturas mais importantes e amadas da Deusa? Como isso afeta a sua auto-estima? Você pode imaginar uma Deusa? Você se sente à vontade com a idéia de uma Deusa? E de um Papa mulher, quer dizer, uma Mama? Como você se sentiria em uma missa rezada por uma mulher?).

Lembre-se de que a maioria das vozes no rádio e das caras na televisão e na imprensa, quando se trata de eventos importantes como a nomeação de uma comissão pacificadora, a junta diretora de um banco, a eleição na Federação das Indústrias, a secretaria geral de um sindicato, o FMI, etc., são vozes e caras de mulheres. Lembre-se que a Presidente sempre foi uma mulher e que as ministras e deputadas são mulheres na sua maioria.

A polícia e o exército estão majoritariamente nas mãos das mulheres. E embora aos homens lhes tenha sido dado o direito a voto muito depois de que às mulheres, ninguém questiona a igualdade eleitoral. Recorde que na escola todos os seus livros didáticos falam do ponto de vista feminino, a história relata as façanhas das mulheres, sua luta pela liberdade, pela igualdade e pela sororidade. Nos estudos sociais só se lê o que pensaram as mulheres, o que conquistaram as mulheres, porque o progresso humano foi feito por elas e é medido de acordo com o que elas consideram importante.

Em anatomia é o corpo da mulher que é usado para explicar o sistema respiratório, o sistema circulatório, etc. No esporte, os importantes são os esportes que as mulheres praticam… afinal de contas, na Copa do Mundo só os times femininos participam. As compositoras de música são sempre mulheres, com raras exceções, e as grandes artistas plásticas reconhecidas mundialmente são mulheres. A literatura mundial é aquela escrita pelas mulheres. Os romances, contos e poesias dos homens são apenas literatura masculina. E quando há perigo de guerra ou extinção do planeta, todas as que têm o poder, de evitá-la ou não, são mulheres, mesmo que os homens, junto com suas filhas, saiam às ruas para protestar e lutar pelos Direitos
da Mulher, ou como são chamados agora, “Direitos Humanos”.

Lembre-se de que o pai sempre disse que o mundo é assim, não porque não se queira dar importância aos homens – suas caras e seus corpos são vistos nos comerciais e, é claro, nos concursos de beleza – mas porque na realidade a maioria das pessoas que se movem nas esferas de decisão, nas esferas importantes, são mulheres. Embora todos os homens saibam que atrás de toda grande mulher há um bom homem. (Como você se sente sabendo que é a mulher o paradigma do humano? Você consegue imaginar uma esfera pública povoada só de mulheres? Consegue imaginar uma Assembléia Legislativa ou um Congresso composto só por mulheres? O que você sente ao pensar nesse Congresso? O que você sente quando imagina um concurso de beleza de homens?).

Sinta-se verdadeiramente tranqüila e segura com o fato de que nós, mulheres, somos as líderes, os centros de poder, as principais e essenciais em tudo. Que somos nós, mulheres, que outorgamos o voto ao homem e que decidimos o destino do planeta em nome da humanidade. O homem, cujo papel natural é o de esposo e pai, encontra sua satisfação por meio de seu sacrifício por sua família, suas filhas e por dar um oásis de paz a sua senhora. Isto é natural, pois todas conhecemos as diferenças biológicas entre os sexos. Pense na explicação biológica óbvia: a mulher entrega seu corpo inteiro para a reprodução da espécie durante a gravidez e a amamentação e dessa forma, ao homem lhe cabe fazer todo o resto. Além do mais, o corpo da mulher é o paradigma – o desenho ou construção de seu corpo é o protótipo do corpo humano – pois seus órgãos genitais são compactos e internos, protegidos dentro do corpo. Seu corpo tem menos pêlos, característica importante que a diferencia dos primatas, enquanto o homem, muito mais peludo, está mais próximo dos macacos dos quais descende. Pense que os órgãos genitais masculinos são mais expostos, prova de que os homens devem ser educados a brincar com cautela, para assegurar a continuação da espécie. A vulnerabilidade masculina obviamente torna os homens necessitados de proteção. E está cientificamente comprovado que os homens suportam menos a dor e estresse, e têm uma vida mais curta que as mulheres. Assim, é melhor que permaneçam dentro de suas casas e não façam nada mais pesado que os serviços domésticos. (O que você sente quando ouve dizer que a mulher é biologicamente mais forte? Como você se sente com a idéia de que o corpo da mulher seja o paradigma do corpo humano? Acha justo que os homens se encarreguem da criação das crianças e de cuidar das meninas?).

Portanto, é a própria natureza quem determina que os homens são mais passivos que as mulheres e que seu desejo sexual é o de ser simbolicamente envolvidos pelo corpo protetor de uma mulher. Os homens psicologicamente anseiam por essa proteção, tomando plena consciência de sua masculinidade no momento do envolvimento sexual, sentindo-se expostos e vulneráveis em qualquer outra situação. Segismunda Freud, que apesar de ser mulher sabe mais sobre a sexualidade masculina que os próprios homens, já disse que o macho não alcança a verdadeira maturidade enquanto não conseguir vencer sua tendência ao orgasmo fálico e passar para o orgasmo testicular. Quando consegue, finalmente se torna um “homem completo” e pode deixar-se absorver pela mulher. (Você consegue evocar suas experiências sexuais? A sua sexualidade é integral, completa, ou mutilada? Como é que você se sente quando ouve dizer que é uma mulher a que sabe mais sobre a sexualidade dos homens?).

Mas se o homem não aceita tal visão e continua aferrado ao orgasmo fálico, as teorias psicanalíticas, universalmente aceitas e cientificamente comprovadas, demonstram que é porque esse homem, inconscientemente, está rejeitando sua masculinidade. Deve fazer psicoterapia para que seja ensinado a aceitar a sua verdadeira natureza. É claro que essa terapia será ministrada por uma psicóloga que tenha a educação e a sabedoria para facilitar a abertura que se requer por parte do homem para que reconheça sua natureza masculina e possa crescer em busca do seu verdadeiro eu, aceitando seu destino biológico como base moral da família. (Você consegue evocar relações sexuais satisfatórias? Por que foram satisfatórias? Você pode imaginar uma terapeuta falando sobre a “natureza masculina”? O que você sente ao pensar nessa natureza masculina?).

Para ajudar o homem a vencer sua resistência em aceitar seu verdadeiro destino, a terapeuta o levará a tomar contato com o menino que vive dentro dele. Que recorde como invejava a liberdade que suas mães davam à sua irmã. Ela podia correr, subir em árvores e andar a cavalo sem se preocupar em maltratar seus órgãos genitais. Ele lembra também que ela podia usar tênis e shorts, enquanto ele tinha que calçar esses sapatinhos de verniz que lhe machucavam os pés… Rapidamente a terapeuta o afasta desse tipo de pensamentos que fomenta horríveis movimentos masculinistas que são liderados por homens feios e frustrados que não conseguiram uma mulher que os desejem e os protejam. A terapeuta lhe explicará que, obviamente, como sua irmã tem tanta liberdade de movimento, é preciso estimulá-la para desenvolver seu corpo e sua mente para as grandes responsabilidades que a esperam em sua vida adulta. A terapeuta o ajudará a entender que a vulnerabilidade masculina necessita da proteção feminina. Por isso, seu papel nesta vida é menos ativo e a ele são ensinadas as virtudes da abnegação do sacrifício. (Que tipo de sentimentos você sente no seu interior? Como você sente a roupa que está usando agora?).

Por tudo isso, à mulher corresponde a fortaleza, ao homem a observação, a graça, a nutrição, a abnegação. Atrás de toda grande mulher, há um bom homem. O mundo é um berço que se move pelas mãos de um homem abnegado. O homem é um ser incompleto, por isso necessita que sua mulher lhe dê filhas para sentir-se finalmente completo. O homem é do lar, a mulher da rua, o homem se realiza dentro da esfera privada, a mulher na pública. A mulher é forte, independente, racional, por isso não necessita da proteção de sua casa e gosta de andar pelas ruas com suas amigas. (Você consegue sentir-se poderosa por sua capacidade de continuar a espécie e dar dignidade ao homem? O que se sente ao saber que os homens são incompletos, carentes de proteção? Como você se sente sabendo que as mulheres andam pelas ruas e que isso é “natural”?)

Devido à sua inveja do clitóris, ele aprende a esconder seus órgãos genitais e aprende a sentir-se envergonhado e sujo por suas ejaculações noturnas. Aprende a depilar as pernas, as axilas, o peito, a barba e até a usar desodorantes testiculares para sentir-se como um bonequinho, um verdadeiro Ken. Inconscientemente sabe que as mulheres gostam dos jovenzinhos porque são mais dóceis e lindos e por isso tem que tratar de parecer sempre jovem. As mulheres, em compensação, não têm que se preocupar demasiado com seu físico porque elas são admiradas por sua inteligência e força e sabem que sempre poderão conseguir um marido porque eles são estimulados a sonhar com o casamento como única alternativa a sua vida. Além do mais, todos os jovenzinhos acham atraente uma mulher grisalha, com experiência e dinheiro. Eles são ensinados a sonhar com o dia em que sua “senhora” lhe entregará uma recém-nascida mulher para que a cuide e leve seu nome. Sabe que se for um menino, ele é quem falhou, mas em todo caso pode seguir tentando… (Percorra seu corpo, grave os sentimentos que se mobilizaram.)

——————————————————————————————————————————————

Retirado do Manual de Capacitação das Mulheres Jovens, elaborado pela Convenção pela Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW) e pela Instituto Latino-Americano para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinquente (ILANUD).

Por que anarquistas não votam?

Posted in referências, voto nulo on 30 de maio de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Por que anarquistas não votam?
Elisée Reclus

TUDO o que pode ser dito a respeito do sufrágio pode ser resumido em uma frase: votar significa abrir mão do próprio poder. Eleger um senhor, ou muitos senhores, seja por longo ou curto prazo, significa entregar a uma outra pessoa a própria liberdade.

Chamado monarca absoluto, rei constitucional ou simplesmente primeiro ministro, o candidato que levamos ao trono, ao gabinete ou ao parlamento sempre será o nosso senhor. São pessoas que colocamos “acima” de todas as leis, já que são elas que as fazem, cabendo-lhes, nesta condição, a tarefa de verificar se estão sendo obedecidas.

Votar é uma idiotice. É tão tolo quanto acreditar que os homens comuns como nós, sejam capazes, de uma hora para outra, num piscar de olhos, de adquirir todo o conhecimento e a compreensão a respeito de tudo. E é exatamente isso que acontece. As pessoas que elegemos são obrigadas a legislar a respeito de tudo o que se passa na face da terra: como uma caixa de fósforos deve ou não ser feita, ou mesmo se o país deve ou não guerrear; como melhorar a agricultura, ou qual deve ser a melhor maneira para matar alguns árabes ou negros. É muito provável que se acredite que a inteligência destas pessoas cresça na mesma proporção em que aumenta a variedade dos assuntos com os quais elas são obrigadas a tratar.

Porém, a história e a experiência mostram-nos o contrário. O poder exerce uma influência enlouquecedora sobre quem o detém e os parlamentos só disseminam a infelicidade. Nas assembléias acaba sempre prevalecendo a vontade daqueles que estão, moral e intelectualmente, abaixo da média. Votar significa formar traidores, fomentar o pior tipo de deslealdade.

Certamente os eleitores acreditam na honestidade dos candidatos e isto perdura enquanto durar o fervor e a paixão pela disputa. Todo dia tem seu amanhã. Da mesma forma que as condições se modificam, o homem também se modifica. Hoje seu candidato se curva à sua presença; amanhã ele o esnoba. Aquele que vivia pedindo votos, transforma-se em seu senhor.

Como pode um trabalhador, que você colocou na classe dirigente, ser o mesmo que era antes já que agora ele fala de igual para igual com os opressores? Repare na subserviência tão evidente em cada um deles depois que visitam um importante industrial, ou mesmo o Rei em sua ante-sala na corte!

A atmosfera do governo não é de harmonia, mas de corrupção. Se um de nós for enviado para um lugar tão sujo, não será surpreendente regressarmos em condições deploráveis. Por isso, não abandone sua liberdade. Não vote!

Em vez de incumbir os outros pela defesa de seus próprios interesses, decida-se. Em vez de tentar escolher mentores que guiem suas ações futuras, seja seu próprio condutor. E faça isso agora! Homens convictos não esperam muito por uma oportunidade. Colocar nos ombros dos outros a responsabilidade pelas suas ações é covardia.

Não vote!

(Tradução de Mario Bresighello)

Primeiro de maio: um feriado anarquista

Posted in primeiro de maio, referências on 30 de abril de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Ao contrário do que os partidos, os sindicatos pelegos, os burgueses e os Estados tentam nos fazer acreditar com seu revisionismo histórico, o primeiro de maio é um dia de origens anarquistas, decorrente das agitações pela jornada de trabalho de 8 horas, à qual 5 anarquistas de Chicago deram suas vidas. Há vasta literatura sobre os fatos reais do primeiro de maio, então reproduzimos abaixo um texto sucinto mas bastante informativo.

As Origens Trágicas e Esquecidas do Primeiro de Maio

Jorge E. Silva*

(http://www.nodo50.org/insurgentes/textos/mundo/19origensprimeiromaio.htm)

Maio já foi um mês diferente de qualquer outro. No primeiro dia desse mês as tropas e as polícias ficavam de prontidão, os patrões se preparavam para enfrentar problemas e os trabalhadores não sabiam se no dia 2 teriam emprego, liberdade ou até a vida.

Hoje, tudo isso foi esquecido. A memória histórica dos povos é pior do que a de um octogenário esclerosado, com raros momentos de lucidez, intercalados por longos períodos de amnésia. Poucos são os trabalhadores, ou até os sindicalistas, que conhecem a origem do 1° de maio. Muitos pensam que é um feriado decretado pelo governo, outros imaginam que é um dia santo em homenagem a S. José; existem até aqueles que pensam que foi o seu patrão que inventou um dia especial para a empresa oferecer um churrasco aos “seus” trabalhadores. Também existem – ou existiam – aqueles, que nos países ditos socialistas, pensavam que o 1° de maio era o dia do exército, já que sempre viam as tropas desfilar nesse dia seus aparatos militares para provar o poder do Estado e das burocracias vermelhas.

As origens do 1° de maio prendem-se com a proposta dos trabalhadores organizados na Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) declarar um dia de luta pelas oito horas de trabalho. Mas foram os acontecimentos de Chicago, de 1886, que vieram a dar-lhe o seu definitivo significado de dia internacional de luta dos trabalhadores.

No século XIX era comum (situação que se manteve até aos começos do século XX) o trabalho de crianças, grávidas e trabalhadores ao longo de extenuantes jornadas de trabalho que reproduziam a tradicional jornada de sol-a-sol dos agricultores. Vários reformadores sociais já tinham proposto em várias épocas a idéia de dividir o dia em três períodos: oito horas de trabalho, oito horas de sono e oito horas de lazer e estudo, proposta que, como sempre, era vista como utópica, pelos realistas no poder.

Com o desenvolvimento do associativismo operário, e particularmente do sindicalismo autônomo, a proposta das 8 horas de jornada máxima, tornou-se um dos objetivos centrais das lutas operárias, marcando o imaginário e a cultura operária durante décadas em que foi importante fator de mobilização, mas, ao mesmo tempo, causa da violenta repressão e das inúmeras prisões e mortes de trabalhadores.

Desde a década de 20 do século passado, irromperam em várias locais greves pelas oitos horas, sendo os operários ingleses dos primeiros a declarar greve com esse objetivo. Aos poucos em França e por toda a Europa continental, depois nos EUA e na Austrália, a luta pelas oitos horas tornou-se uma das reivindicações mais freqüentes que os operários colocavam ao Capital e ao Estado.

Quando milhares de trabalhadores de Chicago, tal como de muitas outras cidades americanas, foram para as ruas no 1° de maio de 1886, seguindo os apelos dos sindicatos, não esperavam a tragédia que marcaria para sempre esta data. No dia 4 de maio, durante novas manifestações na Praça Haymarket, uma explosão no meio da manifestação serviu como justificativa para a repressão brutal que seguiu, que provocou mais de 100 mortos e a prisão de dezenas de militantes operários e anarquistas.

Alberto Parsons um dos oradores do comício de Haymarket, conhecido militante anarquista, tipógrafo de 39 anos, que não tinha sido preso durante os acontecimentos, apresentou-se voluntariamente à polícia tendo declarado: “Se é necessário subir também ao cadafalso pelos direitos dos trabalhadores, pela causa da liberdade e para melhorar a sorte dos oprimidos, aqui estou”. Junto com August Spies, tipógrafo de 32 anos, Adolf Fischer tipógrafo de 31 anos, George Engel tipógrafo de 51 anos, Ludwig Lingg, carpinteiro de 23 anos, Michael Schwab, encadernador de 34 anos, Samuel Fielden, operário têxtil de 39 anos e Oscar Neeb seriam julgados e condenados. Tendo os quatro primeiros sido condenados à forca, Parsons, Fischer, Spies e Engel executados em 11 de novembro de 1887, enquanto Lingg se suicidou na cela. Augusto Spies declarou profeticamente, antes de morrer: “Virá o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso que as vozes que nos estrangulais hoje”.

Este episódio marcante do sindicalismo, conhecido como os “Mártires de Chicago”, tornou-se o símbolo e marco para uma luta que a partir daí se generalizaria por todo o mundo.

O crime do Estado americano, idêntico ao de muitos outros Estados, que continuaram durante muitas décadas a reprimir as lutas operárias, inclusive as manifestações de 1° de maio, era produto de sociedades onde os interesses dominantes não necessitavam sequer ser dissimulados. Na época, o Chicago Times afirmava: “A prisão e os trabalhos forçados são a única solução adequada para a questão social”, mas outros jornais eram ainda mais explícitos como o New York Tribune: “Estes brutos [os operários] só compreendem a força, uma força que possam recordar durante várias gerações…”

Seis anos mais tarde, em 1893, a condenação seria anulada e reconhecido o caráter político e persecutório do julgamento, sendo então libertados os réus ainda presos, numa manifestação comum do reconhecimento tardio do terror de Estado, que se viria a repetir no também célebre episódio de Sacco e Vanzetti.

A partir da década de 90, com a decisão do Congresso de 1888 da Federação do Trabalho Americana e do Congresso Socialista de Paris, de 1889, declararem o primeiro de maio como dia internacional de luta dos trabalhadores, o sindicalismo em todo o mundo adotou essa data simbólica, mesmo se mantendo até ao nosso século como um feriado ilegal, que sempre gerava conflitos e repressão.

Segundo o historiador do movimento operário, Edgar Rodrigues, a primeira tentativa de comemorar o 1 de maio no Brasil foi em 1894, em São Paulo, por iniciativa do anarquista italiano Artur Campagnoli, iniciativa frustrada pelas prisões desencadeadas pela polícia. No entanto, na década seguinte, iniciaram-se as comemorações do 1 de maio em várias cidades, sendo publicados vários jornais especiais dedicados ao dia dos trabalhadores e números especiais da imprensa operária comemorando a data. São Paulo, Santos, Porto Alegre, Pelotas, Curitiba e Rio de Janeiro foram alguns dos centros urbanos onde o nascente sindicalismo brasileiro todos os anos comemorava esse dia à margem da legalidade dominante.

Foram décadas de luta dos trabalhadores para consolidar a liberdade de organização e expressão, que a Revolução Francesa havia prometido aos cidadãos, mas que só havia concedido na prática à burguesia, que pretendia guardar para si os privilégios do velho regime.

Um após outro, os países, tiveram de reconhecer aos novos descamisados seus direitos. O 1° de maio tornou-se então um dia a mais do calendário civil, sob o inócuo título de feriado nacional, como se décadas de lutas, prisões e mortes se tornassem então um detalhe secundário de uma data concedida de forma benevolente, pelo Capital e pelo Estado em nome de S. José ou do dia, não dos trabalhadores, mas numa curiosa contradição, como dia do trabalho. Hoje, olhando os manuais de história e os discursos políticos, parece que os direitos sociais dos trabalhadores foram uma concessão generosa do Estado do Bem-Estar Social ou, pior ainda, de autoritários “pais dos pobres” do tipo de Vargas ou Perón.

Quanto às oitos horas de trabalho, essa reivindicação que daria origem ao 1º de maio, adquiriu status de lei, oficializando o que o movimento social tinha já proclamado contra a lei. Mas passado mais de um século, num mundo totalmente diferente, com todos os progressos tecnológicos e da automação, que permitiram ampliar a produtividade do trabalho a níveis inimagináveis, as oitos horas persistem ainda como jornada de trabalho de largos setores de assalariados! Sem que o objetivo das seis ou quatro horas de trabalho se tornem um ponto central do sindicalismo, também ele vítima de uma decadência irrecuperável, numa sociedade onde cada vez menos trabalhadores terão trabalho e onde a mutação para uma sociedade pós-salarial se irá impor como dilema de futuro. Exigindo a distribuição do trabalho e da riqueza segundo critérios de eqüidade social que o movimento operário e social apontou ao longo de mais de um século de lutas.

*Membro do Centro de Estudos Cultura e Cidadania – Florianópolis (CECCA)

O 1º DE MAIO

Posted in primeiro de maio, referências on 22 de abril de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Rudolf Rocker

O primeiro raio de sol do dia de maio surge sobre os túmulos silenciosos de Waldheim e descobre lentamente o modesto monumento dos cinco anarquistas que sucumbiram em novembro de 1887 nas mãos do carrasco. É do túmulo comum dos cinco militantes que surge a idéia universal do Primeiro de Maio.

O terrível assassinato de Chicago foi o epílogo sinistro desse grande movimento que se produziu em 1o de maio de 1886 em todos os centros industriais dos Estados Unidos a fim de obter para o proletariado americano, com a arma da greve geral, a jornada de oito horas. Esses cinco anarquistas, cujos restos repousam sobre o verde gramado de Waldheim, foram os porta-vozes mais valorosos e mais audaciosos na grande luta entre o capital e o trabalho, e tiveram de pagar com suas vidas a fidelidade a seus irmãos de combate. Inspirado pelo espírito dos cinco enforcados, o Congresso Internacional de Paris, em 1889, concebeu a resolução que proclamava o 1o de maio dia feriado do proletariado universal e nunca uma resolução encontrou eco tão poderoso e entusiasta no seio do grande povo dos deserdados. Viu-se na realização prática dessa resolução um símbolo da emancipação vindoura.

Nem o ódio cego dos exploradores, nem as miseráveis tentativas dos políticos socialistas foram capazes de mudar o sentido profundo dessa manifestação característica ou de fazê-la degenerar. Como um intenso clarão, a idéia viveu no imenso coração do povo trabalhador de todos os países e não pôde ser extirpada, mesmo durante os tempos de dura reação. Isso porque se tratava de uma idéia surgida das profundezas e que deveria manter solidamente no espírito das massas uma esperança lutando por  uma expressão viva e apelando à vigorosa consciência dos oprimidos como um novo pensamento. A idéia ressurgiu do mais profundo: não é de cima que florescerá nosso bem-estar, é de baixo que deve vir a força que romperá nossas correntes e dará asas à nossa aspiração.

O 1o de Maio é para nós um símbolo, um símbolo da liberação social pelo meio da ação direta que encontra sua forma mais acabada na greve geral. Todos aqueles que sofrem a servidão e que a preocupação cotidiana da existência marca com seu selo, o enorme exército de todos aqueles que extirpam o tesouro os tesouros da terra, trabalham nos altos fornos ou dirigem a charrua pelos campos, todos esses milhões de seres que devem satisfazer o capital, em inumeráveis fábricas e oficinas, por um tributo de sangue, os trabalhadores manuais e intelectuais de todos os continentes, todos serão parte dessa imensa e invencível associação do seio da qual brotará um novo futuro assim que o conhecimento de sua desoladora existência ancorar fortemente na consciência de cada um de seus membros. Sobre seus ombros, repousa um mundo inteiro; ela sustenta o destino de toda a sociedade em suas mãos e sem sua força criadora, toda vida humana está condenada à morte.

A venda de seu trabalho e de seu espírito é a causa oculta de sua servidão e de sua dependência: a recusa de efetuar esse trabalho para os monopolistas deve, por conseqüência, transformar-se em instrumento de sua emancipação. O dia em que essa evidência iluminar o espírito dos oprimidos, esse dia anunciará o grande crepúsculo dos deuses da sociedade capitalista.

O 1o de Maio dever ser para nós um ensinamento que leve à consciência dos trabalhadores e dos oprimidos a enorme energia que está em suas mãos. Essa força deita raízes na economia, em nossa atividade como produtores. A sociedade nasce todo dia dessa força e recebe a todo momento as possibilidades de sua própria existência. Nisso, o membro de um partido não conta, mas sim o mineiro, o ferroviário, o ferreiro, o camponês, o homem que produz os valores sociais e cuja energia criadora mantém o mundo em movimento. A alavanca de nossa força está aí; nesse fogo deve ser forjada a arma que ferirá mortalmente o bezerro de ouro.

Não falamos aqui da conquista do poder, mas da conquista da fábrica, dos campos, da mina. Pois todo poder político não foi outra coisa senão violência organizada que impõe às grandes massas do povo a dependência econômica em relação às minorias privilegiadas. A opressão política e a exploração econômica vão juntas, completam-se e uma não pode existir sem o apoio da outra. É absurdo crer que futuras instituições governamentais constituirão um dia uma exceção.

O importante não é a etiqueta exterior, mas a essência de uma instituição; e a pior forma das tiranias foi sempre aquela exercida em nome do povo ou de uma classe. Por conseqüência, toda autêntica luta contra o monopólio da posse é ao mesmo tempo uma luta contra o poder que o protege, e, assim como o objetivo do proletariado militante no terreno econômico é a abolição e a supressão do monopólio privado sob todas as suas formas, seu objetivo político deve ser também a supressão de toda instituição do poder. Aquele que utiliza uma dessas formas para aniquilar a outra não compreendeu a verdadeira significação do socialismo, e é sempre a aplicação do mesmo princípio de autoridade que foi até aqui a pedra angular de todas as tiranias.

O 1o de Maio deve ser um símbolo da solidariedade internacional, de uma solidariedade não limitada à competência do Estado nacional que corresponde sempre aos interesses das minorias privilegiadas do país. Entre os milhões de assalariados que suportam o jugo da escravidão, existe uma unidade de interesses, qualquer que seja a língua que eles falem e a bandeira sob a qual nasceram.

Mas entre os exploradores e os explorados de um mesmo país, existe uma guerra ininterrupta que não pode ser solucionada por qualquer princípio de autoridade e que adquire suas raízes nos interesses contraditórios das diversas classes.

Todo nacionalismo é um disfarce ideológico dos verdadeiros fatos: ele pode, num dado momento, arrastar as grandes massas para seus representantes mentirosos, mas ele nunca foi capaz de abolir desse mundo a brutal realidade das coisas.

As mesmas classes que, na época da Guerra Mundial, tentaram elevar o patriotismo do povo até a exaltação, enviam hoje os produtos do trabalho do proletariado alemão àquele que foi em outros tempos “o inimigo estrangeiro”, enquanto falta às grandes massas o mais necessário em seu próprio país. Os interesses nacionais das classes dominantes são colocados em balança quando eles são idênticos aos interesses de sua carteira e que eles produzem a porcentagem necessária. Se milhões de pobres diabos deixaram suas vidas ou seus membros nessa loucura das grandes matanças dos povos, nunca foi porque eles queriam pagar tal ou qual dívida da honra nacional, mas porque seus cérebros foram mantidos nas trevas dos preconceitos artificialmente criados. Essa sangrenta tragédia se repetirá, a menos que os operários tomem conhecimento das verdadeiras maquinações da guerra e das pantalonadas nacionalistas. A luta infatigável contra o militarismo, não as vulgaridades pacifistas, é-nos, portanto, necessária.

Enquanto os trabalhadores tiverem dispostos a produzir os instrumentos de morte violenta e do massacre das massas, a “sede de sangue” dos povos não desaparecerá; para os escravos que forjam eles próprios suas cadeias, a liberação nunca chegará. Assim, o 1o de Maio é para nós uma poderosa manifestação contra todo militarismo e contra a imensa fraude nacionalista por trás dos quais ocultam-se os interesses brutais das classes possuidoras.

É preciso criar um novo futuro sobre as bases do socialismo libertário, sob o sopro ardente do qual as concepções moribundas dos tempos passados e as instituições carcomidas do presente desaparecerão no abismo do que foi, para abrir a era da verdadeira liberdade, da autêntica igualdade e do amor humano.

Celebramos o 1o de Maio nesse sentido, como o símbolo de um futuro próximo que germinará no seio do povo revolucionário para redimir o mundo da maldição das dominações de classes e da escravidão do salariado.

1o de maio de 1936.

* Tradução: Plínio A. Coêlho.


O Inimigo do Rei

Posted in história, referências on 29 de janeiro de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

O Inimigo do Rei foi um jornal anarquista que (r)existiu em Salvador-BA de 1977 a 1988, período da ditadura militar brasileira. Era considerado parte da imprensa “nanica”, que se mantinha como oposição à imprensa militar de forma autônoma e independente do governo. Defendia, entre outros ideais libertários, a ação direta, a autogestão e o federalismo. Durante sua existência, abordou os mais diversos assuntos econômicos, políticos e sociais; em suas páginas, tiveram espaço, além do anticapitalismo, do antimilitarismo e da acracia, a homossexualidade, o ateísmo, as drogas, as alas mais radicais do feminismo e do movimento negro, o ambientalismo e a luta antimanicomial, entre outras.

Título: O INIMIGO DO REI – Periódico do Canto Libertário.
ENDEREÇO: Uma publicação da Editora e Livraria “A”- Rua de abril, n.º 8, sala 21, Relógio de São Pedro, Salvador, Bahia. Impressão: Rio de Janeiro: Gráfica e editora Jornal do Comércio, Rua Do Livramento, 198. São Paulo: Oficinas da Cia Ed. Joruês, Rua Gastão da Cunha, 49.
Cidade: Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre.
PERIODICIDADE: Bimestral.
N.º de Páginas: Entre 08 e 22.
Datas – Limite: No acervo do CEDAP: 1977 – 1988.
Exemplares: No acervo do CEDAP: Ano I: n. ° 1-2. Ano II: n. ° 3. Ano III : n. ° 4-9. Ano IV: n. ° 10;12. Ano V: n. ° 13-15. A partir do n. ° 16 não há indicação de ano. N. ° 16-22.
RESPONSÁVEIS: Feito em sistema de rodízio, dentro de uma proposta de autogestão jornalística. A responsabilidade cabe, portanto aos autores dos artigos.
ILUSTRAÇÃO: Em sua estrutura inicial, apresentou ilustrações nas capas e contra-capas, além de fotografias e poesias referentes a críticas ao regime político.
COLABORADORES: Não é possível identificar colaborações fixas.
CARACTERIZAÇÃO: Um jornal de Imprensa alternativa (de esquerda), de estrutura variável, pode ser classificado como imprensa política. Caracteriza-se como um trabalho educativo e esclarecedor das massas trabalhadoras, enfatizando a importância da autogestão, do movimento do trabalhador, levantando a bandeira da luta contra o autoritarismo e a favor das minorias discriminadas. As matérias estavam centradas nas seguintes temáticas: a autogestão e o ideal  Anarquista.
DESCRIÇÃO: Com uma pauta voltada para os interesses das minorias sociais, produziu um jornalismo que se inseriu no quadro mundial das lutas dos explorados. Defendeu a autogestão em contraposição ao autoritarismo do sistema capitalista, isso com grandes dificuldades devido à postura independente que teve. Na defesa do ideal anarquista, propunha uma ruptura definitiva com o contexto autoritário da história. Para isso, pedia o poder a ninguém, propagando em meio a seus ideais, a liberdade em todas as suas vertentes, no sexo, no amor e na vida.
Fonte: PAGANOTTO, Waldir. Imprensa Alternativa e Anarquismo: “O INIMIGO DO REI” (1977-1988) – Dissertação de Mestrado, UNESP, Assis, 1997. (Canto Libertário)


Blogue sobre o jornal

Algumas matérias

Entrevistas com os editores

Algumas edições digitalizadas (Senha: inimigo)

Documentário: