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Carta de repúdio ao deputado Feliciano Filho e ao candidato Vicente Carvalho

Posted in atos, textos on 17 de agosto de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Nós, manifestantes da quarta passeata contra o rodeio em Piracicaba/SP, realizada neste sábado, dia 07 de agosto de 2010, declaramos através desta nosso repúdio ao oportunismo do deputado estadual Feliciano Filho e do candidato a deputado federal Vicente Carvalho, ambos do Partido Verde (PV) de Campinas.

Os políticos e seu comitê compareceram ao início da passeata junto com sua equipe televisiva pedindo entrevista aos manifestantes, filmando os primeiros minutos da passeata e entregando jornais de sua campanha política.

A passeata tem caráter apartidário e objetiva conscientizar a população a respeito da exploração animal. Servir de comício para quaisquer indivíduos ou partidos, mesmo que eles sejam “protetores dos animais”, não faz parte do ato. A passeata não apoia nenhum candidato, seja ele do partido verde, azul, vermelho, preto ou de qualquer cor. Enxergamos a atitude dos políticos como um enorme desrespeito aos motivos pelos quais nos reunimos e a entendemos como uma tentativa de se aproveitarem de nossos esforços em seu benefício próprio.

Logo após atingirem sua meta, os políticos e sua equipe sumiram sem explicações ou despedidas, fato que agravou o comportamento demonstrado anteriormente e evidenciou sua intenção não de participar do movimento, mas sim de parasitá-lo para seus interesses eleitoreiros. Desta forma, aparecendo por menos de 10 minutos em uma passeata que durou duas horas e meia, os candidatos passaram a imagem de estarem engajados em algo em que na realidade não estavam. Eles usaram nossa imagem para se auto-promoverem, e por isso não autorizamos a divulgação nem o uso da mesma em seu programa, site ou qualquer outro tipo de mídia.

As passeatas contra o rodeio organizadas tanto em Piracicaba como em Limeira, Americana ou outras cidades da região são espontâneas e horizontais, nunca houve e nem haverá um líder. Qualquer pessoa que se identificar com a causa, inclusive os próprios candidatos, pode comparecer, mas como indivíduo e não para obter benefícios com o ato. Todavia, ficou mais do que claro que os políticos compareceram à manifestação apenas para pedir votos e usar os manifestantes como massa de manobra para sua campanha, tratando a passeata em si mesma com desprezo.

Com o ocorrido, consideramos mais do que provado que a exploração animal deve ser combatida por nós mesmos, com o vegetarianismo, as passeatas, as panfletagens, o boicote a produtos testados em animais, não utilizando couro etc., e não acreditando na suposta boa vontade de políticos que afirmam lutar em nosso nome mas que, na verdade, não agem de maneira alguma diferente do restante. Não fazemos parte de seu circo eleitoral.

Manifestantes da quarta passeata contra o rodeio em Piracicaba/SP

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8 de Março – Dia Internacional da Mulher.

Posted in 8 de março, feminismo, textos on 8 de março de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade estadunidense de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, como redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com muita violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas.

Em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem às mulheres que se manifestaram por condições melhores em 1857. Somente em 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU.

Essa data não é apenas pra comemorar, dar presentes ou coisa do tipo. É uma forma de luto pelas mulheres que reivindicaram seus direitos e acabaram morrendo por eles. Em muitos países realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade. A luta é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todas as conquistas, mulheres ainda sofrem em locais de trabalho, em casa, e nas ruas.

O Dia da Mulher serve para lembrarmos o quanto já conquistamos e o quanto ainda temos para conquistar!

A cada 15 segundos uma mulher é espancada ou morta no Brasil. As mulheres são vistas como objetos de consumo, e depois de serem usadas são jogadas em qualquer canto, são criminalizadas, sofrem preconceitos, opressão, desvalorização. Vivem com medo de andar nas ruas por que hoje em dia as ruas são dominadas por homens. Toda mulher tem medo de andar à noite por elas e ser assediada ou estupradas. São ridicularizadas por necessitar interromper uma gravidez. Nós mulheres vivemos com medo todos os dias. Esse medo vem da dominância masculina: de nossas famílias que foram criadas de uma forma machista, onde o irmão tem o direito de fazer o que quiser por ser homem, e a menina tem que ficar em casa ajudando a mãe a arrumar a casa e preprarar o almoço para os machos, e pelo sistema que nos mostra que não podemos gritar, não podemos erguer a voz pra dizer que basta de opressão e que as mulheres têm que ser tratadas com respeito e não como objetos.

100 anos de 8 de Março! 100 anos de luto e luta.
Mulheres unidas mudam o mundo!

Carnaval pra quem?

Posted in carnaval, textos on 8 de fevereiro de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

O carnaval não é produto do pensamento moderno. Ele já existia até na Idade Média. Quando nós perguntamos o que é carnaval para você, temos que também pensar o que é o carnaval. E mais, o que é o carnaval popular.

Será o carnaval o desfile de escolas de samba com patrocínios do Estado, de cervejas, emissoras e outras empresas capitalistas que estão visando nele apenas o lucro e em que a mulher fica com o corpo quase todo descorberto e o homem com o corpo coberto?

Será o carnaval aquele que é televisionado das ruas de Salvador e outros Estados do nordeste onde você tem que comprar o seu abadá para festejar?

A modernidade cresce entrelaçada ao capitalismo e este, faz tudo o que for “permitido” (e até o que não é “permitido”) pelo lucro. É lógico que o capital vai se apropriar do carnaval para conseguir mais lucro. Se o capital se apropriou de livros, filmes e músicas que o combatiam, que dirá de uma parte do carnaval.

Então, qual é o preço para ir a um baile de carnaval? 10, 15 reais? Mas pode chegar ao absurdo preço de 77 mil reais, onde há um espaço pra 24 pessoas, ou seja, o valor de aproximadamente R$ 3.208,00 por pessoa. A arquibancada que tem preços de 5 e 10 reais, tem também o preço de 550 reais nos melhores espaços (sendo estes valores do carnaval do Rio de Janeiro).

Sabendo esses preços, podemos chamar esse carnaval de evento para o povo? Ou devemos chamá-lo de espetáculo excludente?

Além disso, qual é a imagem que se faz da mulher durante esses dias de festa? Colocam-na como objeto sexual, mostram-na quase nua somente para atrair mais público, o que também contribui para que no exterior vejam as brasileiras como “vagabundas”. O turismo sexual no Brasil, inclusive com crianças, também está atrelado a essa imagem.

O que nós queremos mostrar é que existem outras formas de fazer o carnaval, sem elitizá-lo. Portanto organize-se com seus amigos e divirta-se sem machismo ou qualquer outro preconceito!

Realidade

Posted in textos on 13 de janeiro de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região
Falamos em realidade como se ela fosse uma só, onde todos compartilham as mesmas idéias as mesmas ações quando se deveria ser dito em realidades no plural, pois em cada individuo existe uma realidade dependendo do ponto de vista de cada um, um rio para uma lavadeira que o vê como uma forma de necessidade em lavar roupas, é diferente para um cientista que o vê como uma substância criada por dois átomos, um de hidrogênio e outro de oxigênio, se tratando da água.

O ser humano é o construtor da realidade, da consciência de mundo, ele modifica as coisas ao seu redor para viver, o que o diferencia dos outros animais. Apesar de o ser humano ser o construtor da realidade, de sua realidade e consciência de mundo, ele não se vê como tal em seu cotidiano, pelo contrario ele se vê como preso à natureza ou ao social sendo incapaz de mudar a realidade. É a criatura se voltando contra o criador.

E falando em modificar a realidade, existem as instituições que situam os porquês dessa realidade como se tivesse uma realidade própria longe de ser percebida como uma criação da humanidade, que foi criada pelos governos com o tempo, que levou a estagnar as pessoas a uma realidade subjetiva que através da legitimação a instituição leva a crer que essa realidade estava ai antes de nascermos e vai estar ai depois de morrermos.

Quando percebido esse sistema de instituições de legitimações, se reconhece os falsos porquês, levando o indivíduo a ideologia que esclarece com respeito aos fatos sociais os reais motivos da instituição. É necessária a ideologia para se perceber como construtor da realidade é necessário a utopia para andar sobre as bases da ideologia e não voltar a cair na estagnação da realidade – que o dizem impossível de mudar, – o capitalismo.

Sendo um único indivíduo incapaz de mudar sozinha a realidade em sua volta é preciso que todo indivíduo se perceba como construtor da realidade social, de uma forma coletiva e universal, sendo libertário com relação às instituições. Só uma ideologia pode levar o ser humano a se reconhecer como verdadeiro e legítimo construtor da realidade, só uma utopia pode libertá-lo da falsa natureza imutável, e esta se chama anarquismo.