Arquivo para janeiro, 2010

O Inimigo do Rei

Posted in história, referências on 29 de janeiro de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

O Inimigo do Rei foi um jornal anarquista que (r)existiu em Salvador-BA de 1977 a 1988, período da ditadura militar brasileira. Era considerado parte da imprensa “nanica”, que se mantinha como oposição à imprensa militar de forma autônoma e independente do governo. Defendia, entre outros ideais libertários, a ação direta, a autogestão e o federalismo. Durante sua existência, abordou os mais diversos assuntos econômicos, políticos e sociais; em suas páginas, tiveram espaço, além do anticapitalismo, do antimilitarismo e da acracia, a homossexualidade, o ateísmo, as drogas, as alas mais radicais do feminismo e do movimento negro, o ambientalismo e a luta antimanicomial, entre outras.

Título: O INIMIGO DO REI – Periódico do Canto Libertário.
ENDEREÇO: Uma publicação da Editora e Livraria “A”- Rua de abril, n.º 8, sala 21, Relógio de São Pedro, Salvador, Bahia. Impressão: Rio de Janeiro: Gráfica e editora Jornal do Comércio, Rua Do Livramento, 198. São Paulo: Oficinas da Cia Ed. Joruês, Rua Gastão da Cunha, 49.
Cidade: Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre.
PERIODICIDADE: Bimestral.
N.º de Páginas: Entre 08 e 22.
Datas – Limite: No acervo do CEDAP: 1977 – 1988.
Exemplares: No acervo do CEDAP: Ano I: n. ° 1-2. Ano II: n. ° 3. Ano III : n. ° 4-9. Ano IV: n. ° 10;12. Ano V: n. ° 13-15. A partir do n. ° 16 não há indicação de ano. N. ° 16-22.
RESPONSÁVEIS: Feito em sistema de rodízio, dentro de uma proposta de autogestão jornalística. A responsabilidade cabe, portanto aos autores dos artigos.
ILUSTRAÇÃO: Em sua estrutura inicial, apresentou ilustrações nas capas e contra-capas, além de fotografias e poesias referentes a críticas ao regime político.
COLABORADORES: Não é possível identificar colaborações fixas.
CARACTERIZAÇÃO: Um jornal de Imprensa alternativa (de esquerda), de estrutura variável, pode ser classificado como imprensa política. Caracteriza-se como um trabalho educativo e esclarecedor das massas trabalhadoras, enfatizando a importância da autogestão, do movimento do trabalhador, levantando a bandeira da luta contra o autoritarismo e a favor das minorias discriminadas. As matérias estavam centradas nas seguintes temáticas: a autogestão e o ideal  Anarquista.
DESCRIÇÃO: Com uma pauta voltada para os interesses das minorias sociais, produziu um jornalismo que se inseriu no quadro mundial das lutas dos explorados. Defendeu a autogestão em contraposição ao autoritarismo do sistema capitalista, isso com grandes dificuldades devido à postura independente que teve. Na defesa do ideal anarquista, propunha uma ruptura definitiva com o contexto autoritário da história. Para isso, pedia o poder a ninguém, propagando em meio a seus ideais, a liberdade em todas as suas vertentes, no sexo, no amor e na vida.
Fonte: PAGANOTTO, Waldir. Imprensa Alternativa e Anarquismo: “O INIMIGO DO REI” (1977-1988) – Dissertação de Mestrado, UNESP, Assis, 1997. (Canto Libertário)


Blogue sobre o jornal

Algumas matérias

Entrevistas com os editores

Algumas edições digitalizadas (Senha: inimigo)

Documentário:

Imagens Anarquistas

Posted in referências on 22 de janeiro de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Alberto Gawrryszewski, do Laboratório de Estudos dos Domínios da Imagem, da Universidade Estadual de Londrina, fez um estudo de ilustrações produzidas por anarquistas e organizou o livro Imagens Anarquistas: Análises e Debates.

Este livro é formado por três artigos. O primeiro, do autor destas linhas, busca, inicialmente, apresentar e analisar as condições de vida e trabalho dos operários para depois analisar algumas imagens que foram usadas como um importante instrumento de luta e unidade do ideal anarquista dentro do movimento operário brasileiro.

O segundo artigo, escrito por Isabel Bilhão, aborda como a festa do Primeiro de Maio traz em si uma História própria. Afinal, a quem pertence a paternidade da festa? Situando a questão no Brasil, Bilhão discute como eram as comemorações, com suas imagens e o que estas queriam representar, bem como explica o papel dos mártires de Chicago nesta data de luta e luto.

O terceiro e último artigo foi escrito por Paulo Alves, que faz uma análise da historiografia sobre a relação do estado com o movimento operário na Primeira República brasileira. Afinal, a ordem pública, moral e social, com a repressão e o uso do arcabouço legal (Código Penal), é uma visão patronal ou de toda sociedade? Autores que discutem o movimento operário brasileiro dão destaque à repressão, ao caráter policialesco do estado desse período. O autor traz estas contribuições, alargando-as com outras que discutem o estado conciliador e paternalista. As imagens que ilustram o texto traduzem a forma de denúncia que a imprensa anarquista usava para desmascarar toda a problemática da relação estado/movimento operário anarquista.

Tanto o livro quanto as ilustrações podem ser acessados aqui:

Laboratório de Estudos dos Domínios da Imagem na História

Ocupação no Jd. Gilda em Piracicaba/SP

Posted in jardim gilda, notícias on 21 de janeiro de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

Para facilitar o acesso às informações sobre a ocupação no Jd. Gilda em Piracicaba/SP, colocaremos o que foi postado em datas diferentes no mesmo post, para facilitar a leitura de todos:

Ocupação no Jardim Gilda:

Famílias que ocuparam o Conjunto Habitacional do Jardim Gilda em Piracicaba como forma de protesto contra a política habitacional do CDHU, aguardam data da reitegração de posse expedido pela justiça.

Piracicaba, que segundo dados do IBGE de 2006, está entre as dez cidades mais ricas do interior do Brasil, também enfrenta problemas de falta de moradia por parte da população de baixa renda. No dia 26 de dezembro de 2009, cerca de 60 casas do conjunto habitacional do Jardim Gilda, construídas pelo CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo), foram ocupadas por trabalhadores que não concordam com a forma de distribuição das casas por sorteio, ocorrido em outubro de 2009 – das 951 moradias sorteadas, 180 foram para moradores em áreas de risco, 67 para portadores de deficiências, 48 para idosos e 30 para policiais militares. Sobraram 626 para a população inscrita, sou seja, muito menos do que as 11.961 famílias que estavam concorrendo. As condições exigidas para ter direito às moradias são: morar há pelo menos três anos em Piracicaba; ter renda entre um e 10 salários mínimos, sem financiamentos anteriores, nem propriedade em imóveis.
Segundo integrantes da ocupação, o objetivo dessa é chamar a atenção do governo para a situação das famílias que estão esperando há anos por uma moradia do CDHU.
No início da tarde de ontem (08/01/2010), houve uma manifestação pacífica por parte das famílias que estão no Jardim Gilda para defender o direito à moradia, garantido pela constituição federal:
Art. 6º: São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição?.
E ainda,
Art. 23: É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: (…) IX promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico.
Mas apesar desses direitos garantidos por lei, a Justiça de Piracicaba aceitou nesta terça-feira, dia 05/01, o pedido de reintegração de posse, feito pelo CDHU, ainda sem data marcada.

Relatos sobre a ocupação:

Luciano: aguardando o “sorteio” de moradia desde 1999

Jacqueline: ou a gente trabalha ou a gente paga aluguel

Moradora: a gente quer pagar pela moradia

Centro de Mídia Independente

Carta aberta da ocupação Jd. Gilda:

A carta com Notificação de Desocupação do CDHU para desocupação das casas no Jardim Gilda foi entregue no conjunto habitacional na tarde de ontem. As famílias que não tem para onde ir aguardam assustadas já que a notificação ameaça, caso as casas não sejam desocupadas imediatamente, de interferência com força policial.

Carta de Reintegração de Posse

No final da tarde as mulheres se reuniram para escrever uma carta que deverá ser entregue ao Prefeito Municipal amanhã cedo:

Carta Aberta à Prefeitura e à População da Cidade de Piracicaba

Nós, integrantes e simpatizantes da ocupação do Jardim Gilda – conjunto habitacioanal construído pelo CDHU – em nosso direito de cidadania, vimos por meio desta esclarecer, questionar e denunciar o processo de distribuição de moradias que está sendo praticado pela política habitacional de Piracicaba.

A ocupação das casas no Jardim Gilda aconteceu no dia 26 de dezembro de 2009, 22 dias após o sorteio das mesmas pelo CDHU, quando cerca de 60 famílias – dentre as 11.961 inscritas segundo dados veiculados pela imprensa local – sofrendo com a falta de moradia e não sorteadas dentre as apenas 626 unidades habitacionais disponíveis, perceberam que muitas residências continuavam vazias, evidenciando o desinteresse no imóvel por parte dos contemplados.

Como integrantes dessas famílias, compostas por trabalhadores que não concordam com essa forma de distribuição de moradia (sorteio), abandonados pelo Estado que ignora essa situação e questionados por assistentes sociais e Conselho Tutelar sobre as crianças que permanecem sem creche, educação e moradia – direitos garantidos pela carta magna:

Art. 6º: São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
E ainda,
Art. 23: É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: (…) IX – Promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico;

Exigimos e reivindicamos ações mais concretas por parte do Poder Público para garantir esses direitos.

No último dia 19 de janeiro, 25 dias após o incicio da ocupação, sem termos sido procurados para decidir o destino de nossas famílias, recebemos um documento emitido pela CDHU e pela Polícia Militar de São Paulo, referente a aviso de desocupação imediata dos imóveis, ameaçando quem pemanecer no local de uso de força policial.

Assim nós, mulheres, mães, trabalhadoras e integrantes da Ocupação do Jardim Gilda, junto com nossos filhos e companheiros, repudiamos a inciativa da CDHU, que de forma contraditória, ignora e usurpa com esse ato de despejo, nosso direito de cidadania. E, ainda, reivindicamos a essa Prefeitura a construção e distribuição de moradias para todos os inscritos nos programas habitacionais para famílias de baixa renda.

Sem mais,

Integrantes da Ocupação do Jardim Gilda

Piracicaba, 20 de janeiro de 2010.

Aconteceu nesta manhã (22/01/2009) a reintegração de posse no Jardim Gilda

Havia muita polícia, tropa de choque e um helicoptero para a reintegração de aproximadamente 60 casas ocupadas por famílias compostas em sua maioria por pessoas que apesar de inscritas, não foram “sorteadas” com moradia.

A cena se repetiu em cada uma das casas que foram desocupadas: uma muher representando o CDHU, escoltada por muitos policiais, entrava nas casas e pedia pras pessoas saírem. Se as pessoas resistissem, eles chamavam a assistente social que, frente a recusa das famílias e ouvindo que naõ tinham pra onde ir, respondia que deveriam ir de onde tinham vindo.

Além disso, a única coisa que fizeram além de expulsarem as famílias das casas do Jardim Gilda, foi encaminhar os móveis de quem estava nas casas para um barracão – nao se sabe exatamente onde. Também disponibilizaram  um ônibus que levaria quem “realmente” não tivesse pra onde ir, para um albergue, por três dias.

Muitas mulheres estavam sozinhas com seus filhos mas mesmo assim foram tiradas a força das moradias.

Desalojadxs do Jardim Gilda são abandonadxs na porta do albergue

Após terem seu direito à moradia usurpado pela decisão de reintegração de posse, integrantes da ocupação do Jardim Gilda em Piracicaba são transportadxs para a frente de albergue que se encontra fechado, passando fome e sede sob chuva

Durante o final da manhã de hoje, dia 21 de janeiro de 2010, a polícia militar de Piracicaba- SP efetuou a reintegração de posse das casas do conjunto habitacional Jardim Gilda que vinham sendo ocupadas desde o dia 22 de dezembro de 2009 devido à não concordância com os critérios de distribuição de moradias pelo CDHU por parte de famílias inscritas no programa habitacional da prefeitura.

Cerca de 30 ocupantes que não possuíam outro lugar para onde ir, incluindo crianças, foram deslocadas por ônibus até um albergue na rua Prudente de Moraes aproximadamente às 13h00. Pelo menos desde este horário, o albergue se encontra fechado, deixando essas pessoas sem abrigo contra as diversas chuvas desta tarde e sem comida e água.

O CDHU de Piracicaba contraria sua finalidade de proporcionar moradia e despeja famílias na rua, à mercê da chuva, do frio, da fome e da sede.

Centro de Mídia Independente

Realidade

Posted in textos on 13 de janeiro de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região
Falamos em realidade como se ela fosse uma só, onde todos compartilham as mesmas idéias as mesmas ações quando se deveria ser dito em realidades no plural, pois em cada individuo existe uma realidade dependendo do ponto de vista de cada um, um rio para uma lavadeira que o vê como uma forma de necessidade em lavar roupas, é diferente para um cientista que o vê como uma substância criada por dois átomos, um de hidrogênio e outro de oxigênio, se tratando da água.

O ser humano é o construtor da realidade, da consciência de mundo, ele modifica as coisas ao seu redor para viver, o que o diferencia dos outros animais. Apesar de o ser humano ser o construtor da realidade, de sua realidade e consciência de mundo, ele não se vê como tal em seu cotidiano, pelo contrario ele se vê como preso à natureza ou ao social sendo incapaz de mudar a realidade. É a criatura se voltando contra o criador.

E falando em modificar a realidade, existem as instituições que situam os porquês dessa realidade como se tivesse uma realidade própria longe de ser percebida como uma criação da humanidade, que foi criada pelos governos com o tempo, que levou a estagnar as pessoas a uma realidade subjetiva que através da legitimação a instituição leva a crer que essa realidade estava ai antes de nascermos e vai estar ai depois de morrermos.

Quando percebido esse sistema de instituições de legitimações, se reconhece os falsos porquês, levando o indivíduo a ideologia que esclarece com respeito aos fatos sociais os reais motivos da instituição. É necessária a ideologia para se perceber como construtor da realidade é necessário a utopia para andar sobre as bases da ideologia e não voltar a cair na estagnação da realidade – que o dizem impossível de mudar, – o capitalismo.

Sendo um único indivíduo incapaz de mudar sozinha a realidade em sua volta é preciso que todo indivíduo se perceba como construtor da realidade social, de uma forma coletiva e universal, sendo libertário com relação às instituições. Só uma ideologia pode levar o ser humano a se reconhecer como verdadeiro e legítimo construtor da realidade, só uma utopia pode libertá-lo da falsa natureza imutável, e esta se chama anarquismo.

Ceia Anti-Natal

Posted in antinatal, atos on 6 de janeiro de 2010 by Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região

No dia 22 de Dezembro de 2009, nós do Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região (CAPRE) realizamos na praça central o que chamamos de uma ceia anti-natal. Conseguimos doações de alguns dos alimentos e fizemos comida vegana: salgado recheado, batata assada, salada de batata com tomate seco, pão, abacaxi e uva.

Nossa intenção era chamar a atenção das pessoas sobre o consumismo do natal, explicar sobre a data, desmentir alguns fatos (como por exemplo a data do nascimento de Jesus de acordo com pesquisas não ser dia 25 de dezembro) e também divulgar o vegetarianismo (que está totalmente relacionado com o consumo absurdo de animais no final do ano). Para isso também fizemos um panfleto explicativo.

Não divulgamos o evento para outros grupos anarquistas porque a nossa intenção era divulgar essas idéias para quem não as conhece, mas estamos divulgando essa nota para relatar o que ocorreu, afim de que as pessoas vejam que mesmo grupos pequenos podem fazer ações para falar e explicar às pessoas sobre o que lutamos.

Fotos
Vídeo

Textos sobre o assunto:

Ao nos aproximarmos do fim de todo ano, nossa sociedade celebra um ritual cristão conhecido como NATAL, no qual se alega comemorar o nascimento de Jesus. Esse é um feriado repleto de mitos e oportunismo. Ele não está em nada relacionado com nosso povo e nossa cultura: a mídia nos vende um homem branco de casaco de peles de um lugar cheio de neve em um trenó com renas, coisas que provavelmente nunca veremos ao vivo em nossas vidas.

Pesquisadores da bíblia apontam que o provável dia do nascimento de Jesus foi perto do meio de setembro e não no dia 25 de dezembro. Na religião pagã, no dia 25 de dezembro se celebra o Natalis Solis Invictus. A ceia, a árvore e os presentes são na verdade oferendas pros deuses pagãos Sol Invictus e Asherah. O papa Júlio incorporou este ritual às tradições da igreja católica no ano de 359 com o objetivo de atrair pagãos para a igreja e aumentar seu número de seguidores.

Ruas e casas são tomadas por lâmpadas e decorações festivas, e a mídia e as lojas sofrem enchentes de propaganda de compras. O terrorismo comercial atinge principalmente as crianças, que aprendem desde cedo que ter felicidade é comprar coisas, fazendo-as chorar por pedaços de plástico, enquanto milhares de outras crianças passam fome na rua. Além disso, é certo mentir para elas sobre o Papai Noel com o objetivo de vender futilidades? O natal beneficia apenas lojas e corporações e leva pais e mães a se atolarem em dívidas de objetos fúteis e inúteis apenas para atenderem a uma tradição deturpada.

O natal também é o causador de um enorme prejuízo ambiental, pois, além do aumento do gasto de eletricidade, nessa época se joga um grande número de embalagens descartáveis e de presentes não desejados no lixo. Este é um dos feriados em que mais animais são assassinados, especialmente aves, mortas aos milhões por uma tradição cruel e irracional. Uma ceia deveria ser um momento de celebração da vida, e isso inclui o respeito aos animais: não há sentido algum em tentar viver a partir da morte de um animal, especialmente como uma forma de comemoração a algum evento – a morte de qualquer ser é um momento triste, não festivo. Ademais, desperdiçamos toneladas de comida durante o ano, e isso se intensifica durante o natal, quando pessoas simples se sentem obrigadas a gastarem suas economias do ano em banquetes enormes.

Nas festas de fim do ano, celebremos sinceramente a harmonia, a liberdade e a igualdade entre os seres humanos e o restante dos habitantes do planeta e deixemos de lado as mentiras e o consumismo!

Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região
capre@riseup.net

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Natal! Natal! É o estridor produzido por milhares de bocas infantis que alegremente pulam, impacientes e irriquietas, à espera da alviçara que a bondosa mamãe lhe prometera durante o ano todo. Os empórios e as confeitarias colocam em suas portas cartazes mastodônticos que flamejam pelos olhos de quem passa, como bandeiras anunciadoras de raridades gastronômicas, impregnando o paladar da suculência indiscutível das iguarias finíssimas ali depositadas, esperando a vez do comprador. Um velho decrépito, esbranquiçado de neve, que as religiões fazem deambular com o tempo para voltar depois, cada vez mais velho e alquebrado, sintoma real dos imperativos da evolução, povoa o cérebro tênue das crianças com fantasias esdrúxulas e coisas as mais inverossímeis.

É a grande festa! Bailes, cantos e músicas, estendem-se intermitentes, à semelhança de uma epidemia drástica que chega a contaminar até as pessoas idosas que, neste dia, galvanizam a inveterada carcaça, contentes de haver enriquecido o pesado fardo da existência com mais um ano de vida. Todos parecem sentir o influxo desse ritmo litúrgico, inoculado no sangue e no espírito das criaturas humanas por uma casta de parasitas que vive e se desenvolve como um peso morto no seio das sociedades: o clero. Sofre-se a pesada impressão de que o intricado problema social não existe e que a felicidade invadira, irreverente, todos os lares, todos os casebres.

Dezembro quase que invariavelmente arrasta consigo noites encantadoras, e o clarão do luar esconde do palor de seus raios o reverso doloroso dessa alegria efêmera. Nessas noites, as ruas da cidade enchem-se de estranhos passeantes, num vai-vem interminável próprio de peregrinação: é o “footing” das mães proletárias que procuram apagar os desejos de sua prole na magnificência rutilante das vitrinas e na luz feérica das casas comerciais.

Os proletariozinhos, rotos e macilentos, doidos de contentamento, devoram com seus olhos escancarados os brinquedos insinuantes que se pavoneam convidativos através de uma vidraça grossa que lhe impede de alcançá-los com sua mãozinha branca e descarnada. A tragédia moral da infância pobre tem, nesse fato, um desfecho deplorável e contritador. O viço exultante do fedelho, transforma-se com estridulo rebelde que as mães consternadas raramente conseguem dominar. Realmente, a existência daquela maldita vidraça erguida assim como uma fortaleza diante daqueles preciosos passatempos, não têm explicação para a infeliz criatura, cujo pai vive honradamente do trabalho útil.

Ser operário, viver honestamente, sem roubar, sem explorar ninguém, a pobre criança não sabe que este é um pecado que Deus não perdôa, não pode saber que para ter o direito de transpor os umbrais faustosos dos bazares é preciso roubar, mentir, explorar, ser comerciante ou padre, delegado de polícia ou deputado, viver, enfim, do ágio, viver da exploração.

Para empanar o brilho ígneo dessa verdade irritante, as damas caridosas, de unhas esmaltadas, esmeram-se na filantropia esportiva, e atarefam-se no natal dos meninos pobres. As piedosas beatas, distribuindo alguns brinquedos reunidos através da ostensiva e pomposa propaganda dos jornais, pensam terem mitigado o sofrimento da infância proletária, dessa infância desamparada e mirrada pela fome; passam perante a sociedade como sendo o arcanjo misericordioso que sente horror pela dor e a miséria do indigente, mas que, entretanto, apesar de mulheres, seriam capazes de assinar a pulso firme, impassíveis até, a sentença de morte, o decreto de expulsão, ou o trabalho forçado, para os “indesejáveis” que lutam e se sacrificam para o nivelamento social, para igualdade entre os homens, numa palavra: para extirpar o mal nas sociedades humanas. Escuta, proletariozinho! Diz aos teus pais que abandonem esse velho e decrépito natal, tão indiferente e frio para nós como os flocos de neve que lhe caem. Diz-lhe que há um natal maior e mais formoso, que contemplará a todos indistintamente, que não haverá, nesse grande natal, nem ricos nem pobres, todos serão iguais, todos. Para as crianças e velhos, direitos e descanso, e para os fortes e aptos ao trabalho, direitos e deveres. Não haverá quem sofra por não ter, e quem goze porque tem demais; as vossas mãezinhas não sofrerão a protérvia do mundo, para todos há um lugar na mesa do banquete e todos serão úteis à nova sociedade.

Diz-lhe, proletariozinho, que é um natal grande, imensamente grande, e chama-se: A-nar-quis-mo!

Pedro Catalo
A Plebe
5 de Janeiro de 1935

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Receita do salgado:

Massa
– 1 xícara e meia de farinha de trigo
– 3 colheres de óleo
– sal (ponta da colher)
– 1 colher (sobremesa) de pó royal
– água morna para amassar
MDF: juntar tudo em uma bacia e amassar até dar o ponto da massa (até ela começar a desgrudar das mãos). Cada receita dessa dá um salgado. Depois é só esticar a massa, colocar o recheio dentro e fechá-la.

Recheio
– tomate
– azeitonas
– orégano
– batata
– cebola
– catchup
– sal
MDF: cortar e refogar o tomate, azeitona, cebola em uma panela. Colocar um pouco de água. Após ferver, abaixar o fogo e colocar um pouco de catchup para engrossar e as batatas (já fervidas) e amassadas. Acrescentar o orégano e colocar o recheio (esperar esfriar um pouco) dentro da massa. Assar por aproximadamente 40 minutos.